Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 22/08/2018
A escravidão contemporânea como fruto do Capitalismo
A escravidão, exclusivamente negra, foi abolida em 1888, mas, ainda hoje é um problema a ser enfrentado. A diferença do trabalho forçado, registrado até o século XIX e o atual, é que ele não se limita mais a raça, como afirmam pesquisadores do século XXI, com exemplo da repórter Jennifer Ann Thomas, que a define como “multiétnica”. Grande parte se encontram no setor agropecuário, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); entretanto, não se limitam apenas a esse, já que há muitos trabalhando de forma desumana nos centros econômicos, como em São Paulo, e, em especial, no setor têxtil. Resultante do regime Capitalista, que visa o lucro acima de qualquer coisa.
A grande maioria das pessoas que aceitam trabalhar sob determinadas condições, são aquelas que a sociedade fecha os olhos e ignora sua existência: os analfabetos. O mundo contemporâneo não abre espaço para eles: não há emprego para quem não tenha, no mínimo, ensino médio completo. De uma forma generalizada, as fazendas estão modernas - com exceção das que possuem técnicas arcaicas, mas essas costumam fazer parte da agricultura familiar -, e os outros trabalhos pedem experiência na área; não é incomum encontrar desempregados no Brasil, justamente pela falta de oportunidades.
Muitos dos trabalhadores submetidos a condições escravas, foram buscadas em suas cidades natais - com ênfase no estado do Maranhão, que, de acordo com a revista Veja, é de onde parte a maior mão de obra ilegal do Brasil - com propostas tentadoras de emprego, que lhes prometiam uma carreira promissora, seja como vendedora ou modelo; quando a vítima chega ao destino, se vê frustada, óbvio. Mas não possui dinheiro para retornar, se vendo obrigada a permanecer e trabalhar para pagar a dívida contraída pelos gastos da viagem.
Portanto, para erradicar esse problema alarmante, deve-se, em primeiro lugar, divulgar nas grandes mídias digitais que ele ainda existe, que foi abolido pela Rainha Isabel em maio de 1888, mas retornou com o Capitalismo e suas necessidades. As pessoas devem estar informadas, para não caírem nesse golpe, e, se souberem de qualquer indício de trabalho escravo, que denunciem. Junto disso, o Governo Federal deve ampliar suas investigações, cobrando os estabelecimentos em relação a documentação de seus funcionários. E, sem dúvidas, aplicar as medidas - teoricamente, já existentes - contra o analfabetismo de norte a sul, no Brasil.