Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI

Enviada em 10/10/2018

Desde a colonização, quando negros oriundos da África desembarcaram no Brasil de forma forçada, começou-se a apropriação de sua liberdade. Embora, a escravidão tenha sido abolida em 1888, ainda hoje a opressão e a exploração do trabalho manifestam-se de diferentes maneiras e está sendo ocultada diante à sociedade. Nesse sentido, perpetua-se nos centros urbanos e no campo, a violação dos direitos trabalhistas, em decorrência da falta de fiscalizações das condições de trabalho e da desigualdade social, a qual contribui para a ideia de dominação e banalidade das situações precárias.

Em primeira instância, há um grande desemprego que assola o país, o qual segundo o IBGE, a taxa nacional chegou a 11,8%. Diante disso, imigrantes ilegais e pessoas de baixa escolaridade - principais vítimas de exploração trabalhista - com a emergência da necessidade de garantir o sustento, submetem-se a situações degradantes e jornadas exaustivas. Por certo, a fiscalização por parte estatal para coibir essas práticas e garantir que os direitos trabalhistas conquistados em 1930 sejam estabelecidos é ineficiente e escassa, o que se torna um descaso público e contribui para a perpetuação do ciclo vicioso, pois sempre haverá a parcela social que se sujeita a tais situações.

Somado a isso, foi a filosofia iluminista que mostrou a noção de escravidão como absurda e repugnante, condenando-a em todas as formas e graus. Contudo, a normalidade hodierna em relação às desigualdades sociais facilita a banalidade a qual são tratadas situações irregulares, que caracterizam a precariedade do trabalho e das condições de vida sob a qual o trabalhador é submetido, atentando contra a sua dignidade. Dessa maneira, a falta de empatia por camadas mais populares e a obsessão das grandes empresas em tornarem-se cada vez mais ricas vai ao encontro da permanência do trabalho escravo, e, influencia a mídia a ignorar denúncias das calamidades laborais brasileiras.

Infere-se, portanto, que esse cenário preocupante, opressor e que fere a dignidade humana precisa ser combatido. Sendo assim, é imprescindível que o Governo, por meio de fiscalização de propriedades localizadas nas zonas rurais e em grandes empresas têxteis, estabeleça sanções aos culpados, e que o Ministério da Saúde preste auxílio médico e psicológico às vítimas desse abuso. Além disso, a mídia com seu poder persuasivo, através de campanhas e mobilizações em redes sociais, pode alarmar a população sobre tais casos e fornecer passo a passo de como denunciar, pois, só com uma sociedade que preze pela transparência, poderá estabelecer a efetividade dos direitos humanos e da integridade do trabalhador brasileiro, incitando a diminuição das disparidades sociais.