Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI

Enviada em 01/10/2018

Para o filósofo Pierre Bourdieu, a sociedade cria, legitima e reproduz padrões sociais, difíceis de serem quebrados. Neste sentido, a escravidão introduzida no Brasil colônia e abolida somente no século XIX, deixou graves marcas na sociedade brasileira, as quais precisam serem fortemente combatidas até o século presente.

Nesse contexto, é possível percebermos que ainda há grande resistência social relacionada a extinção total da escravidão no Brasil. Isso ocorre, devido as gritantes diferenças econômicas existentes entre as famílias brasileiras, o que pode ser facilmente verificado através de pesquisas realizadas pelo IBGE e demonstradas através de gráficos em formatos de pirâmides, onde a base, formada pela população mais pobre, acaba se sujeitando as formas de trabalho desumanas, muitas vezes sem compreensão que o trabalho prestado é análogo ao de escravo, o que é evidenciado frequentemente nas mídias sociais, como reportagem divulgada recentemente pelo site UOL.

Nessa perspectiva,  grandes empresários e latifundiários interessados na rentabilidade de seus produtos, utilizam se da vulnerabilidade dessa população para economizarem seus gastos com mão de obra e alavancarem seus lucros, comprovando a teoria de Bauman, onde afirma que a sociedade vem priorizando produtos e mercado em detrimento de pessoas.

É evidente, portanto, a necessidade da intensificação pelo Governo em parceria com o Ministério do Trabalho das operações que garantam inspeções junto aos ambientes de trabalho, a fim de garantir que todos os direitos estejam sendo cumpridos. É necessário também, a implementação de programas sociais, junto ao Ministério da Educação que levem conhecimento a essa parcela mais pobre, como a ampliação de vagas no ensino básico e no ensino de jovens e adultos, além da realização de palestras nos ambientes de trabalho, que os ensinem a perceberem formas de trabalho abusivas, para assim impedirmos o retrocesso do país.