Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI

Enviada em 02/10/2018

Consoante ao poeta Cazuza, ‘‘Eu vejo o futuro repetir o passado’’, o trabalho escravo no Brasil contemporâneo não é um problema atual. Desde o Período Colonial, quando esse tipo de mão de obra foi utilizado, essa vicissitude é uma realidade. Não obstante, apesar de sua abolição ter ocorrido em 1888 com a Lei Áurea, na contemporaneidade, as dificuldades persistem, seja pelas desigualdades sociais, seja pela falta de fiscalização.

Em primeira análise, é possível compreender que o baixo nível de escolaridade de pessoas carentes impede que adquiram trabalhos de qualidade. Segundo o IBGE, a taxa de desemprego nacional chegou a 11,8%. Com isso, essa população sujeita-se a atividades mal remuneradas e cargas horárias excessivas para garantir o sustento familiar. Como também, as crianças que fazem parte dessas residências são exploradas e privadas do acesso à educação, o que torna essa situação um ciclo e impede a ascensão social dessa classe.

Outrossim, salienta-se a falta de fiscalização como impulsionadora do problema. De acordo com Durkheim, o fato social é uma maneira coletiva de pensar e de agir. Segundo essa linha de raciocínio, constata-se que a maior parte da população desconhece esse problema brasileiro e, como consequência, o número de denúncias realizadas é muito baixo. Essa caótica realidade rompe com o artigo 6 da Constituição Federal, o qual afirma ser dever da União garantir a liberdade de todos os cidadãos.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse problema. Destarte, a mídia deve promover campanhas educativas que incentivem a realização de denúncias contra o trabalho escravo e irregularidades fiscais. Além disso, o Ministério da Educação deve criar, nas escolas, palestras ministradas por psicólogos, que discutam o combate a servidão, com o intuito de que o tecido social se separe de certos tabus para que não viva a realidade das sombras, bem como na alegoria da caverna de Platão.