Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI

Enviada em 04/10/2018

Sob a perspectiva neocolonial do século 19, a escravidão tinha a singularidade de estar associada à cor da pele do escravizado, no entanto, atualmente, esse fenômeno passou a estar intimamente relacionado à pobreza. Em vista disso, a condição socioeconômica da vítima e a lógica exploratória do mercado são barreiras para a extinção do trabalho escravo contemporâneo.

Nesse contexto, as vunerabilidades ocasionadas pela pobreza e pouco amparadas pelo Estado criam brechas para a escravidão. Como exemplo, na cidade de São Paulo em 2014, a varejista Renner foi acusada de manter 14 costureiros bolivianos em condições análogas à escravidão, é perceptível, logo, que a situação dos imigrantes pobres, pouco escolarizados e ilegais contribuiu com a possibilidade de se tornarem escravos em um país desconhecido e alheio à sua realidade.

Ademais, o modelo industrial seguidos por empresas globais contribui com a continuidade da problemática. Como foi afirmado pelo geógrafo Milton Santos ‘‘A globalização é uma fábrica de pervesidades’’ e isso é exemplificado pela deslocação de indústrias para países pouco desenvolvidos na 3ª revolução industrial, em que a mão de obra desses não tiveram as mínimas possibilidades para desenvolvimento educacional ou ascensão social, como ocorre entre os EUA e o México.

É notório, portanto, a necessidade de subverter a realidade da escravidão atual. Para isso, em âmbito nascional, o Ministério do trabalho, em conjunto com os veículos midiáticos e ONGs voltadas para o combate desse crime, deve, a partir de campanhas, informar à população os meios de denúncia, as empresas acusadas de promover o trabalho escravo e, simultaneamente, devem oferecer auxílio aos estrangeiros, cidadãos que migraram de regiões carentes para os centros urbanos e trabalhadores rurais sobre as ações que devem ser tomadas em casos de propostas laborais suspeitas ou em casos de exploração já consumados.