Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 11/10/2018
No filme “Tempos Modernos”, Charles Chaplin retrata a condição a qual estava submetido o trabalhador durante a Revolução Industrial: ausência de direitos básicos, jornadas exaustivas e a alienação trabalhista. Essas características também são encontradas na contemporaneidade, uma vez que a exploração ganhou novas “roupagens”.
Em primeiro lugar, muitas domésticas aceitam certas circunstâncias pelo medo de ficarem sem fonte de renda. Historicamente, as empregadas costumam ter uma carga intensa de trabalho e recebem um valor que não condiz com a sua atuação. Por conseguinte, tal fato culminou na criação da PEC das domésticas, a qual visa assegurar os direitos trabalhistas, como salário mínimo e férias. Entretanto, inúmeros patrões ignoram essa lei e ameaçam as funcionárias de uma possível demissão, mascarando, assim, uma exploração indireta da modernidade.
Ademais, as zonas rurais brasileiras concentram diversos casos de trabalhos análogos à escravidão. Ratificando, dessa forma, que a proposta da Lei Áurea parece ainda ecoar no âmbito social, pois os meios de comunicação continuam denunciando fazendas que mantinham cidadãos nessa deplorável situação. Evidenciando, assim, a escassez de fiscalização das empresas que financiam o agronegócio, principalmente, no setor da cana -de - açúcar, onde os cortadores encontram-se em condições precárias.
É imprescindível, portanto, a alteração desse cenário alarmante. As domésticas devem ter seus direitos assegurados e, se ameaçadas, necessitam denunciar ao Sindicato dos Trabalhadores para medidas cabíveis serem tomadas. Ademais, é de extrema urgência que o Governo atue fiscalizando as propriedades rurais, punindo os culpados e que o Ministério da Saúde preste auxílio médico e psicológico às vítimas de abuso. A mídia, com seu poder persuasivo, pode alarmar a população sobre tais casos. Pois só com uma sociedade que preze pela transparência, as vestimentas da exploração poderão cair.