Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 15/10/2018
Teoria funcionalista
Segundo o sociólogo Durkheim, a sociedade é um organismo dependente do funcionamento integrado de seus órgãos para não entrar em anomia- crise social-, já que cada um tem seu papel. No entanto, aos observar o corpo social brasileiro é possível encontrar graves problemas, como o desafio para combater o trabalho escravo na atualidade, que são produtos da desarticulação de seus órgãos. Nesse viés, cabe destacar a cultura da impunidade e a de preconceito como as raízes do quadro caótico.
A priori, é necessário analisar o alto grau de impunidade como um fator contribuinte para a existência da problemática. Isso ocorre porque apesar de haver leis brasileiras que visam proteger o trabalhador de possíveis abusos,o contingente de indivíduos, seja os naturalizados seja os imigrantes, que vivem sob condições de trabalho escravo ainda é alto, uma vez que as punições pré-estabelecidas são insuficientes e a quantidade de casos solucionados pela justiça é baixa. Um exemplo disso, é o número ( superior a 2000) de trabalhadores rurais que foram libertos pelo Ministério do Trabalho no início do século XXI. Consequentemente, além de a legislação ser descumprida, muitas pessoas tornam-se vítimas de exploração em troca de meios de sobreviver.
Ademais, não se pode esquecer como o olhar preconceituoso sobre a mão de obra barata atua como uma barreira contra o combate da situação. De fato, a escravidão, legal até 1888 quando a Lei Áurea foi declarada, proporcionava altos lucros aos donos de terra e grande sofrimento aos negros, não deixando cicatrizes apenas físicas, mas também psicológicas na população, que são vistas até hoje. O trabalho escravo atual é um desdobramento dessas marcas, visto que os indivíduos são julgados com o mesmo olhar desumano que os africanos foram. Por conseguinte, muitos donos de capital tratam seus empregados com desrespeitos, exemplificados pelas longas jornadas e péssimas condições, como no passado.
Portanto, fica claro que a cultura de impunidade e de preconceito são as origens do problema.Nessa perspectiva, o Ministério do Trabalho e a mídia devem cobrar à justiça, em relação a má aplicação das punições, e conscientizar a população sobre o tema, por meio de campanhas televisionadas com a presença de especialistas no assunto e ex-vítimas de exploração, a fim de acarretar a mudança de pensamento dos cidadãos e estimular esses casos a serem denunciados. Assim, o corpo social será mais coeso no que tange à ideia de respeito ao próximo, os desafios do combate ao trabalho escravo poderão ser solucionados e a teoria funcionalista de Dukheim será corroborada, na medida em que diversos setores trabalharão unidos em prol de um único objetivo.