Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI

Enviada em 18/10/2018

“No meio do caminho tinha uma pedra, tinha uma pedra do meio caminho”. Assim explana Drummond no poema No Meio do Caminho, fazendo-se capaz de transitar por diversos problemas intrínsecos da sociedade brasileira. Dentre eles urge a problemática secular advinda das desigualdades, emergindo, por conseguinte, os entraves referentes ao trabalho análogo à escravidão, acentuando a redução de acesso aos direitos básicos do homem.

Indubitavelmente, a discrepância entre a legislação brasileira e sua aplicabilidade revela efeitos negativos desde seus primórdios. Tendo em vista tal questão, a própria Lei Áurea enquadra-se nesse contínuo projeto aristocrata, ao passo que os escravos então libertos permaneceram assolados pela discriminação e pelas decadentes oportunidades de mobilidade econômica. Não obstante, os reflexos e heranças das medidas paliativas que assolam o poder executivo nacional culminam em fortes precariedades sociais, sobretudo entre as minorias desfavorecidas de recursos financeiros.

Nessa perspectiva, o quadro de trabalho degradante firma-se paralelamente ao recuo dos postos de empregos legalizados, bem como pela ausência de fiscalização efetiva. Segundo dados fornecidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas, no ano de 2017 cerca de 12% da população encontrava-se isenta de relação empregatícia. Desse modo, este fato exerce relação proporcional com o aumento de aliciamentos ao trabalho ilegal e ausente de direitos humanos e trabalhistas, reforçando a persistência de um Brasil escravocrata e socialmente desigual.

Consoante a essa questão, urge a tomada de medidas que anulem a problemática do trabalho degradante no Brasil. Para tanto, o Ministério do Trabalho deve atuar, inicialmente, no arrojamento dos postos de fiscais que visem impulsionar o atendimento das denúncias. No entanto, as vítimas do trabalho análogo à escravidão devem ter acesso a novas oportunidades de trabalho. Desse modo, o Estado em parceria ao SENAI deve estimular a dispersão de cursos profissionalizantes por todo o país, inclusive como medida preventiva das condições de emprego desregulares. Dessa maneira, a qualidade de vida dos brasileiros irá elevar e, consequentemente, reduzindo as taxas de desemprego e aumento da renda.