Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 19/10/2018
Na Grécia Antiga, o trabalho era visto como uma atividade indigna, fadada aos escravos e aos pobres. O cidadão era o homem livre, maior de idade, grego e que dedicava seu tempo à política. Nesse sentido, hodiernamente, muitos brasileiros têm sua cidadania negada, uma vez que o trabalho escravo persiste e atinge, principalmente, pessoas analfabetas ou com ensino precário, e que vivem em regiões pobres sem perspectiva de empregos formais, o que favorece uma situação cíclica.
Precipuamente, de acordo com o Programa Seguro Desemprego, 72,1% dos trabalhadores em situação análoga à escravidão no Brasil são analfabetos ou não concluíram o quinto ano do Ensino Fundamental. Assim, em paralelo à condição escravista na Grécia Antiga, percebe-se que são pessoas que realizam trabalhos manuais que exigem força física e pouca instrução, devido à baixa escolaridade. E, por consequência, não desenvolveram senso crítico sobre sua condição de marginalidade, isto é, de acordo com a Pedagogia do Oprimido de Paulo Freire, não criaram autonomia para se reconhecerem como sujeitos políticos, com direitos, tornando-se presas fáceis para empregadores de má-fé.
Outrossim, a falta de perspectiva empregatícia em regiões pobres tende a criar um ciclo de continuidade da exploração do trabalhador. Ou seja, mesmo que um indivíduo consiga se libertar, ao retornar a sua cidade e encontrar as mesmas condições, ele pode ser aliciado novamente. Portanto, isso corrobora o pensamento de Einstein, que afirmou ser loucura esperar um resultado diferente diante das mesmas condições.
Destarte, tais trabalhadores precisam se vir como cidadãos e não como escravos e terem perspectiva de mudança. O Governo deve, portanto, adotar políticas públicas de assistência à vítima e de prevenção para reverter a situação de pobreza e de vulnerabilidade das comunidades, através de incentivos fiscais a empresas que invistam na região, de ajuda psicológica e de abertura de cursos profissionalizantes e de alfabetização para as vítimas, além de uma indenização pelo tempo de trabalho forçado.
forçado.