Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 24/10/2018
Na obra “O Cortiço”, escrita por Aluísio de Azevedo, o personagem João Romão se aproveitava da ingenuidade da escrava Bertoleza para explorá-la sem que ela percebesse. Do mesmo modo, semelhante ao livro, muitas pessoas são submetidas a uma “escravidão moderna” que fere a dignidade humana. Nesse contexto, fica evidente a negligência governamental, bem como a falta de conscientização da sociedade que fazem essa realidade persistir no país.
Durante a Revolução Industrial, a relação entre burguês e proletário era baseada na exploração da mão de obra. Segundo Zygmunt Bauman em sua obra “Modernidade Líquida”, uma das características da pós modernidade é o individualismo. Assim, afim de otimizar seus lucros e sem a devida fiscalização e vigilância dos setores produtivos, grandes empresas não seguem as normas trabalhistas estabelecidas pelo Código Penal e submetem os empregados a condições lamentáveis de trabalho que colocam em risco a saúde física e psicológica dessas pessoas.
Somando isso a um sistema capitalista, muito criticado pelo filósofo Karl Marx, onde a classe dominada vivência uma alienação em benefício dos ricos, gera-se uma grande desigualdade social. Segundo pesquisas recentes do IBGE, o índice de pobreza do país tem piorado ao longo dos anos ao invés de melhorar. Com isso, pessoas sem instrução, migrantes e imigrantes são utilizadas como mão de obra barata nas indústrias urbanas e também em zonas rurais.
Em suma, é imprescindível que o Ministério do Trabalho, aumente a fiscalização nesses setores por meio de vigilâncias periódicas e cobrança de multas para que, assim, possam descobrir e punir irregularidades. Além disso, os Sindicatos Trabalhistas devem colaborar levando até os trabalhadores palestras e debates, afim de que eles se conscientizem de seus direitos. Dessa forma, realidades como a de Bertoleza podem se tornar cada vez menos frequentes na nossa sociedade.