Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 26/10/2018
Em 1948, após atrocidades da Segunda Grande Guerra, foi promulgada a Declaração Universal dos Direitos Humanos que propões condições mínimas de dignidade a todos os indivíduos. Entretanto, nos dias de hoje, a persistência de mazelas sociais como o trabalho análogo à escravidão se perpetua. Nesse sentido, é evidente que a situação de tolhimento de direitos sociais em que muitas pessoas vivem e a indiferença social perante o problema constituem grande desafios para o combate ao trabalho escravo no Brasil do século XXI.
Segundo o geógrafo Milton Santos, em uma sociedade desigual não há cidadania. Tal premissa pode ser observada na situação de vulnerabilidade social, a qual grande parcela pobre da população brasileira está inserida, desempregada e sem acesso a uma educação de qualidade, o que os torna mais propensos a serem aliciados por criminosos e, por conseguinte, ao trabalho escravo. Nesse contexto, muitos trabalhadores, brasileiros ou imigrantes, são enganados por falsas promessas de emprego e uma vida melhor e acabam tornando-se escravos por dívidas de empresas e propriedades rurais ao redor do país. Em adição a isso, quando libertos, em operações policiais, muitos desses indivíduos tendem a retornar a mesma situação haja vista a carência de medidas estatais que visem a ressocialização e a capacitação profissional desse “cidadão”, o que, dessa forma,gera um ciclo de escravidão que constitui um grande desafio na problemática.
Outrossim, grande é a conivência da sociedade perante esse processo brutal. Apesar de inúmeras polêmicas envolvendo grande empresas que utilizavam o trabalho escravo em sua linha de produção, notória é a parcela da sociedade que continua a consumir os produtos dessas instituições, o que demonstra a indiferença popular perante tal situação que é, assim, banalizada. Desse modo, a banalização do mal, conceito crido pela jornalista Hannah Arendt, torna-se visível no atual quadro social em que o fetiche capitalista perante a compra da mercadoria se sobrepõe a ética que todos deveriam ter, edificando, assim, grande barreira ao combate do trabalho escravo diante a inércia popular com a questão humanitária.
Portanto, a fim de mitigar a vulnerabilidade social e educacional que leva indivíduos a essa situação, é necessário que o governo, por meio de um redirecionamento de verbas, ofereça serviços de educação que qualidade que foquem na capacitação profissional com cursos técnicos em parceria com empresas privadas, em regiões carentes e direcionadas à ex-trabalhadores escravos. Além disso o Ministério da Justiça,em parceria com a Mídia, por meio de campanhas de conscientização, deve divulgar ferramentas de denúncia ao trabalho escravo, assim como ações que o estimulam.