Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 28/10/2018
“Eu vejo o futuro repetir o passado. Eu vejo um museu de grandes novidades.” Nos últimos anos, esses versos da canção “O tempo não para” de Cazuza parecem ganhar um novo espaço na sociedade. Tal constatação deve-se ao constante retorno às práticas anacrônicas como o trabalho análogo à escravidão, o qual assola países de destaque no globo, inclusive o Brasil. Nesse sentido, torna-se importante analisar essa problemática a partir dos desafios econômicos e sociais, a fim de propor soluções.
É válido apontar, em primeiro lugar, o desemprego como o fator da economia responsável por potencializar o trabalho análogo à escravidão. Admitindo o Brasil como um exemplo, é prático notar os impactos da crise econômica que fez, aproximadamente, 14 milhões de desempregados no país nos últimos anos. Apesar da imediata falta de correlação, esse quadro está diretamente ligado ao cerceamento das liberdades do trabalhador, uma vez que, ao encontrar-se sem seu sustento, o indivíduo se torna alheio a falsas promessas dos chamados “gatos”. Tais figuras criam a ilusão da oportunidade de emprego, tornando aqueles que aderem à proposta escravos por dívidas.
Cabe ressaltar, além disso, a situação dos imigrantes como um grande problema do século XXI associado ao trabalho análogo à escravidão. Buscando alternativas ao cenário crítico dos países de origem, bolivianos, venezuelanos e haitianos atravessam as fronteiras do Brasil, acreditando na possibilidade de mudança. No entanto, a burocracia para a regulamentação de documentos e a aceitação desses indivíduos na sociedade os torna vulneráveis a condições ilegais de trabalho, na medida em que aceitam qualquer condição pela necessidade ou pela dificuldade de comunicação.
Fica claro, portanto, que a história se repete em meio a dificuldade de contorna-la. Logo, para alterar essa realidade, o Ministério do Trabalho pode criar propagandas engajadas na informação ao trabalhador sobre a necessidade de ele denunciar contratadores como os “gatos”. A fim de torna-lo alerta acerca de propostas duvidosas. Ademais, a regulamentação dos imigrantes, por meio de vistos, passes e estudo do português, feita por órgãos responsáveis, é importante. Para que, assim, o indivíduo não fique alheio a oportunidades ilegais.