Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 30/10/2018
Na obra “A República” (380 a.C.), o filósofo Platão idealiza uma organização política pautada em uma harmonia social completa, livre de conflitos e adversidades. Desde então, essa filosofia impulsionou o desejo das nações de alcançarem esse feito. Contudo, atualmente, a questão do trabalho escravo tem afastado o Brasil na conquista desse objetivo. A partir disso, é válido analisar os aspectos políticos e sociais que envolvem esse fato.
De início, pontua-se que o governo mostra-se ineficiente ao permitir o trabalho análogo à escravidão. Isso porque existe uma falha no processo de investimento em equipamentos de fiscalização e de policiais que inspecionem ambientes suspeitos, fator que facilita a ocorrência de novos crimes desse tipo. Constata-se, desse modo, que o contrato social foi rompido, já que segundo o filósofo Thomas Hobbes, é dever do Estado manter o bem-estar de toda a coletividade.
Ainda, ressalta-se que falta engajamento coletivo para se lutar contra o trabalho escravo. A explicação disso é que a população não tem se organizado, de forma efetiva, para exigir do Legislativo uma pena mais dura, uma vez que a rigidez penal pode se mostrar como um elemento que limite esse crime. Considerando os estudos do sociólogo Zygmunt Bauman para compreender esse fenômeno, percebe-se que a modernidade exerce coerção sobre as pessoas, fazendo com que elas permaneçam inertes diante de quadros negativos.
Evidencia-se, portanto, que o trabalho escravo deve ser combatido. Por isso, é preciso que o Poder Executivo, juntamente com o Ministério do Trabalho, aumente os investimentos por meio da compra de mais equipamentos tecnológicos de vigilância e da contratação de novos profissionais da segurança, a fim de diminuir a ocorrência de novas infrações. Além disso, é necessário que o cidadão atue como agente social, em conjunto com a mídia socialmente engajada, por intermédio da divulgação de palestras e debates com especialistas sobre os efeitos de uma legislação mais rígida, na intenção de criar um senso crítico na população, para que esta possa exigir do governo uma atuação mais adequada. Com isso, seria possível se aproximar dos ideais utópicos propostos por Platão.