Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 01/11/2018
Segundo o filósofo Max Weber “o trabalho dignifica o homem”, porém existem trabalhos que não os tornam dignos. Nesse contexto, é lamentável que mesmo após 130 anos da condenação do trabalho escravo, ainda exista casos graves de trabalho compulsório. Tomando essa provocação como ponte de partida para a discussão dos desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI, é preciso entender não só como a lógica do poder capitalista age sobre essa problemática, como também o contexto social que leva o indivíduo a se submeter a essas condições.
Em primeira análise é possível destacar o pensamento marxista de que o trabalho tem o poder de emancipar o homem. Porém, para Marx o sistema capitalista gera intensa exploração do trabalho objetivando o máximo lucro. Dessa forma, o trabalho escravo é historicamente marcado pela desigualdade social, concentração de renda e domínio de classes inferiores. Nessa lógica, encontram-se principalmente condições de trabalhos desumanos em regiões muito pobres, onde não há garantia de condições básicas de sobrevivência e onde as leis de proteção ao trabalho não são aplicadas.
Outrossim, a ausência do Estado em regiões pobres constrói um quadro de abandono que leva o indivíduo a se submeter às condições impostas pelo explorador pois não há outra alternativa. Com isso o pensamento do sociólogo Durkheim cabe nesse contexto, uma vez que, a realidade social exerce uma força externa que obriga o sujeito a ir contra sua vontade individual, podendo assim caracterizar a exploração como um fato social. Portanto, é imprescindível a garantia dos direitos humanos, uma vez que são direitos inalienáveis e garantem a dignidade do indivíduo.
Por fim, tendo em vista os aspectos observados, é preciso encontrar maneiras eficazes para combater o trabalho escravo no século XXI. Dessa forma, uma medida de intervenção é diminuir a situação de pobreza países subdesenvolvidos onde encontram-se grande concentração de casos de trabalho forçado. Com isso é preciso investir em educação, saúde e criar vagas de emprego, como por exemplo a criação de empresas de reciclagem que oferecem, além do desenvolvimento social a a sustentabilidade do meio ambiente. Outro ponto principal é o incentivo a denúncia por parte de órgão de abrangência internacional como a Organização das Nações Unidas, e também a punição severa dos exploradores dessa prática. Dessa forma é possível desconstruir a prática do trabalho escravo, tornando o trabalho digno ao ser humano.