Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI

Enviada em 02/11/2018

“Nosso egoísmo é, em grande parte, produto da sociedade”. A declaração de Émile Durkheim, sociólogo e filósofo francês do século XIX, permite-nos refletir sobre como o trabalho escravo representa um desafio a ser enfrentado de forma mais organizada pela sociedade brasileira. Nesse aspecto, convém analisarmos as principais causas para o agravamento dessa problemática.

Em uma primeira análise, é sabido que a escravidão, em termos históricos, é decorrente da formação nacional, uma vez que esse foi o tipo de mão de obra usada durante três séculos. Em vista disso, segundo o portal de notícias G1 quatorze por cento dos trabalhadores resgatados no país são encontrados com restrição de liberdade, tornando evidente a gravidade desta situação. Dessa forma, é inadmissível que o Estado se omita diante dessa questão, extremamente grave e ainda recorrente nos dias atuais.

Já em um abordagem mais aprofundada, apesar de a abolição da escravidão ter sido assinada pela princesa Isabel em 1888, bem como, as leis trabalhistas terem surgido na década de 1930, tal exploração ainda é evidente em razão da desigualdade social e insuficiência da fiscalização. Fato é que a baixa escolaridade em consonância com o desemprego estrutural, impede que pessoas sejam incluídas nas novas realidades econômicas do país, com isso, essa parcela da população se vê obrigada a sujeitar-se a enormes cargas horárias e receber um salário inferior ao condizente com a dignidade humana.

A realidade exposta por Durkheim, é ainda um fator atual, a desumanização do trabalho humano, portanto, representa uma ameaça concreta não apenas aos indivíduos diretamente envolvidos como a todos os cidadãos que ,indiretamente, também figuram como vítimas de seu legado. Nesse sentido, o Ministério do Trabalho e Emprego deve propor em parceria com as grandes empresas para que ofereçam conjuntamente cursos técnicos gratuitos com temáticas voltadas para os setores mais fortes das regiões carentes por meio de professores qualificados e ministrados em prédios públicos das cidades. Espera-se, com isso, que a exploração trabalhista seja minimizada