Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI

Enviada em 11/02/2019

“Tudo aquilo que não podemos incluir dentro da moldura estreita de nossa compreensão, nós rejeitamos”, eternizou o escritor Henry Miller. Na senda dessa reflexão, hodiernamente, tal incompreensão torna-se um pilar de um grave problema: O combate ao trabalho escravo. Logo, urge debatermos os principais desafios que norteiam a questão, cujas principais raízes estão na negligência governamental e na falta de posicionamento da população.

A priori, é fato que existem lacunas a serem preenchidas em relação ao papel do Estado. Apesar da conquista dos direitos trabalhistas com a CLT no governo getuliano, a atual falta de fiscalização nas áreas sobretudo de trabalho braçal contribui para que famílias de baixa renda se vejam obrigadas a tirarem seu sustento em ambientes inóspitos e de maneira subumana, expostas a todo tipo de risco em seu ambiente laboral. Dessa forma, o trabalhador que não possui condições de ingressar em um emprego digno, fruto da desigualdade social, encontra-se abandonado e à mercê da exploração de seu empregador.

Em segundo plano, o desleixo da população perante o problema deve ser mitigado. Segundo o Ministério do Trabalho e Previdência Social, 61% dos casos de trabalho análogo à escravidão ocorre em áreas urbanas, logo, ao ignorar a situação,  nós, cidadãos, contribuímos para o crime previsto do Artigo 149 da Constituição Federal, tanto ao não denunciarmos os casos expostos quanto ao comprarmos produtos feitos sob mão-de-obra escrava devido ao menor preço final. Dessa forma, levando em consideração o pensamento  de Machado de Assis, “palavra puxa palavra, uma ideia traz outra, e assim se faz um livro, um governo, ou uma revolução”, faz-se urgente ações conjuntas do corpo social, do Governo Federal e da mídia para o fim dos problemas supracitados.

Dado o exposto, cabe ao Estado, poder máximo do agregado nacional, a ampliação de trabalhos de fiscalização em áreas com maior incidência de casos de trabalho escravo, bem como investimentos em investigações para identificação e prisão de pontos de trabalho em tais condições. Outrossim, a mídia enquanto quarto poder deve desenvolver e disseminar propagandas televisivas e de rádio a fim de conscientizar a população sobre esse problema. Ademais, é essencial que  nós, enquanto parte do corpo social, denunciemos qualquer injustiça no ambiente laboral e reivindiquemos melhorias por meio de mobilizações nas redes sociais e nas ruas. Tomadas essas medidas, enfim, ampliaremos a moldura de nossa compreensão e caminharemos para um futuro promissor.