Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI

Enviada em 02/03/2019

“Aprendemos a voar como os pássaros, e a nadar como os peixes, mas ainda não aprendemos a conviver como irmãos.” Consoante Martin Luther King, ícone americano da busca por igualdade de direitos civis e humanitários, a ignorância humana perante os emblemáticos problemas sociais é enraizada, até os dias atuais. Assim, seja por uma crise ética governamental, seja pelo caráter adverso contemporâneo, os dilemas sobre a exploração trabalhista na modernidade carecem de discussões racionais e de intervenções globais. Em primeiro lugar, é fundamental analisar a moral do Estado, em todas as suas conjunturas mundiais, sobre esse paradigma. Nesse viés, para o utilitarismo quantitativo de Jeremy Bentham, filósofo iluminista, a ética humana é pautada em ações que beneficiem a maior quantidade possível de indivíduos, ou seja, sempre visando o equilíbrio ao atingir positivamente o máximo possível de beneficentes. Assim, embora a sociedade tenha avançado através da diminuição da jornada de trabalho, com uma melhoria na qualidade de vida, é possível perceber que o Poder Executivo apresenta algumas falhas na fiscalização de empresas que exploram diariamente milhares de trabalhadores, trazendo problemas físicos e mentais. Outrossim, parcela da problemática enfrentada compete, também, ao temperamento atribuído pela sociedade atual. Infelizmente, observa-se que alguns dos dilemas sofridos pelos explorados, como baixos salários e esforços repetitivos, são reflexos de uma consciência coletiva não adaptada para tal situação. A par disso, segundo o sociólogo Gilles Lipovetsky, a transição social do século XXI é nomeada “hipermodernidade”, ou seja, um contexto individualista egoísta marcado pelo fortalecimento de bolhas sociais e pela ausência do exercício de alteridade. Nesse sentido, a falta de coletividade em resolver os problemas cotidianos, faz com que as bolhas sociais de exclusão e exploração só aumentem. Fica evidente, portanto, que as figuras públicas representativas e o corpo social vigente precisam de uma responsabilização social sobre a exploração trabalhista na modernidade. Destarte, o Ministério do Trabalho deve aumentar a fiscalização em empresas que explorem trabalhadores, aplicar multas sobre os empresários e investir no aperfeiçoamento moral e intelectual dos trabalhadores, promovendo uma melhoria na qualificação dessas pessoas. Por fim, com trabalhos sociais de participação ética sobre esse paradigma, a sociedade será, enfim, capaz de aprender a conviver como Martin Luther King um dia defendeu.