Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI

Enviada em 12/03/2019

O filme “O Germinal” de Émile Zola retrata a situação dos operários perante à Revolução industrial, na qual eles eram submetidos a uma forma de produção que tinha como único objetivo o lucro, independente das condições físicas e psicológicas dos trabalhadores. Fora da ficção, é fato que a realidade apresentada por Zola pode ser relacionada as relações trabalhistas do século XXI: a desigualdade socioeconômica atrelada ao precário planejamento de políticas públicas corroboram para para que indivíduos estejam submetidos à condições desumanas de exploração trabalhista, sendo necessário analisar o atual panorama para desconstruir essa realidade.

Em 1888, foi assinada pela princesa Isabel a lei que pôs fim a escravidão no Brasil, e ficou conhecida como Lei Áurea. Nesse sentido, apesar de ser ilegal, hodiernamente, são nas zonas rurais do país que se concentram os casos de trabalhos análogos à escravidão, pois estão longe da visão do público. Prova disso, ocorre no Norte brasileiro, onde venezuelanos fugindo de uma crise econômica, por muitas vezes não terem instruções, acabam vivendo como miseráveis, às mãos de latifundiários, donos de empresas e outros detentores de poder financeiro que os exploram oferecendo, em condições sub-humanas, estadia e alimentação. Dessa forma, evidencia-se que os imigrantes são uma das principais vítimas dessa atividade escrava do país.

Outrossim, é válio ressaltar, ainda, as precárias ações governamentais na luta contra a escravidão moderna. Apesar de no Brasil a CLT, promulgada no Estado Novo vanguardista, apresentar um conjunto de leis importantes, sua integridade é questionada e muitas vezes desrespeitada, haja vista que de acordo com um relatório da fundação Walk Free, mais de 155 mil pessoas não estejam  tendo seus direitos trabalhista garantidos, com jornadas exaustivas, sem direitos a descanso, e com salários indignos semelhantes à Revolução Industrial e retratado em “O Germinal”. Desse modo, é nítida a necessidade de condutas mais efetivas do Estado brasileiro sobre fiscalização do cumprimento da lei.

Portanto, é mister que o Ministério Público em conjunto com  a Polícia Federal atue na fiscalização de propriedades localizadas em zonas rurais, coibindo e punindo de maneira mais eficaz os desviantes da lei, para, assim, evitar reincidências. Ademais, cada cidadão tem uma função essencial para solução do problema,dessa maneira, cabe à cada indivíduo participar e incentivar  campanhas como “50 for freedom (50 pela liberdade)” engajados a pôr fim a escravidão moderna, assim, a sociedade será um agente ativo na luta contra essa mazela. Dessa forma, situações vividas durante a Revolução Industrial serão vistas apenas nos livros históricos e não fará parte da realidade.