Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 01/05/2019
Construindo um futuro
A canção “Construção” de Chico Buarque, retrata a exploração intensa vivida por um operário durante seu ofício, o que acaba levando ao fim trágico, sua morte. Apesar de antiga, a crítica presente na música se mantém presente nos dias atuais. Nesse sentido, algo deve ser feito para alterar essa situação, uma vez que milhares de trabalhadores de todo o país têm o seu direito negado, confrontando, portanto, a Consolidação das Leis do Trabalho, que regulamenta as relações e assegura a proteção desses indivíduos.
Em primeira análise, percebe-se que essa exploração, muitas vezes, não é percebida como tal. O sociólogo alemão Karl Marx, defendia a existência da alienação do trabalhador e consequentemente uma alienação em relação à sua própria humanidade, fazendo com que ele se torne mais vulnerável à exploração. Exemplos modernos disso são: as horas extras não pagas, na falsa relação familiar entre empregada doméstica e patrão, no “quebra-galho” para o chefe. Ademais, é evidente que existe uma hierarquia, na qual o maior prejudicado é o elo mais fraco da relação – o trabalhador, que não é detentora dos meios de produção.
Além disso, o combate à escravidão na atualidade dificulta-se pela baixa fiscalização existente e irregularidade da mesma. Isso porque, a maior parte da população desconhece esse problema brasileiro e, como consequência, o número de denúncias realizadas é muito baixo. Outro ponto relevante, é o discurso empreendedor que aconselha o trabalhador a utilizar o máximo do seu tempo para produzir, apoiando-se em uma ideia meritocrática de “quem quer consegue”. Sendo assim, as relações familiares são estremecidas, surgem os problemas de saúde, pois, muitas vezes, não há tempo para comer e dormir e os indivíduos perdem a sensibilidade.
Faz-se necessário, portanto, a alteração desse cenário preocupante. Logo, cabe à mídia, por meio de publicidade, a promoção de campanhas educativas que incentivam a realização de denúncias contra o trabalho escravo e irregularidades fiscais para que a população auxilie esse combate. O Governo deve intervir, garantindo e ampliando os direitos e benefícios dos trabalhadores, assim como deve fiscalizar o cumprimento desses direitos e punir os responsáveis de forma rigorosa. Além disso, o Ministério do Trabalho e Emprego, em parceria com grandes empresas, deve fornecer curso técnicos gratuitos em regiões carentes a fim de qualificar a mão de obra e garantir oportunidades a essa população. Só assim, podemos de fato construir um futuro positivo, diferente daquele expresso pela música de Chico Buarque.