Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI

Enviada em 03/05/2019

O poema " Navio Negreiro" de Castro Alves, demonstrava as condições desumanas que os escravos eram submetidos. Apesar dessa prática ser considerada um crime há mais de um século, percebe-se que ainda persiste no seio social. Dessa forma, demonstra uma sociedade que valoriza mais o lucro do que o homem, mas também reflete um Estado omisso em suas ações. Mediante a isso, nota-se os  desafios para que ocorra de forma efetiva o combate ao trabalho escravo no século XXI.

Em primeiro lugar, conforme a reportagem publicada  no jornal EL PAÍS no ano de 2017, uma fazenda no interior do estado do Pará, de grande influência na economia de gado do Brasil, realizava há muitos anos o trabalho escravo, no qual a forma desumana em que os trabalhores eram submetidos fazia alusão a sociedade escravista dos séculos passados. Contudo, essa história não pode ser vista de forma isolada, pois inúmeras empresas, tanto no cenário nacional e internacional, já foram denunciadas por praticarem essa ação. Em vista disso, percebe-se que o valor da vida ficou subjugado aos interresses econômicos pautados no lucro e assim, impede que direitos humanos fundamentais sejam garantidos na sociedade.

Além disso, segundo o filósofo inglês Thomas Hobbes, homem é o maior inimigo do próprio homem quando não existe um Estado que regulamentarize a suas ações. Consoante a isso, percebe-se que a persistência do trabalho escravo está diretamente relacionado com a omissão do governo. Haja vista que, uma fiscalização ineficiente, como por exemplo, dá margem para continuidade desse ato. Ademais,  quando essa instituição não  oferece serviços de qualidade para a sua população favorece a manutenção dessa prática. Dado que o trabalho escravo nos dias hodierna é fruto de um cenário de pobreza, pois esse contexto permite que  vítimas sejam, facilmente, enganadas com discursos de melhorias na qualidade de vida. Dessarte, se a omissão do Estado permanecer práticas desumanas dificilmente  serão mitigadas no seio social.

Portanto, cabe as ONGs, Organização não Governamental, realizarem propagandas que serão veiculadas nas grandes mídias, com objetivo de conscientizar o cidadão a visitarem os sites que disponibilizam empresas supeitas ou denunciadas por trabalho escravo, para que assim, freia essa pratica que desvaloriza a vida em prol do lucro. Outrossim, que os movimentos estudantis realizem passeatas e manifestação para pressionar o poder público na realização de uma força tarefa que amplia a fiscalização no combate desse ato e ademais, que esse tambem cobre do Estado o oferecimento de sistemas públicos eficientes que promovam o crescimento do individual e, dessa forma, permita que cidadãos não sejam tão facilmente tragados pelo trabalho escravo.