Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 07/05/2019
O poeta romanancista Castro Alves, diferente dos ideias nacionalista e ufanista desse movimento literário, apresentou um Brasil não glorioso, mas sim desumano, por meio do poema “Navio Negreiro”, o qual ecoa os maus tratatos que os escravos eram submetidos. Apesar dessa prática ser considerada um crime há mais de um século, percebe-se que ainda persiste no seio social. Desse jeito, demonstra uma sociedade que reduz o valor do ser humano aos seus interesses econômicos impossibilita a igualdade de direitos, mas também reflete um Estado negligente em suas ações.
Em primeiro lugar, conforme a reportagem publicada no jornal EL País no ano de 2017, uma fazen-da de gado no interior do estado do Pará realizava, há anos, o trabalho escravo, no qual a forma como os trabalhadores se alimentavam e eram monitorados, fazia alusão à sociedade escravista dos séculos passados. Contudo, essa história não pode ser vista de forma isolada, pois inúmeras empresaras, tanto no contexto nacional e internacional, já foram denunciadas por praticarem essa ação. Em vista disso, percebe-se que o valor da vida ficou subjugado aos interresses econômicos pautados no lucro e, assim, impede que direitos humanos fundamentais sejam garantidos de forma igualitária na sociedade.
Além disso, segundo o filósofo inglês Thomas Hobbes, homem é o maior inimigo do próprio ho-mem, quando não existe um Estado que regulamentarize a suas ações. Consoante a isso, observa-se que a persistência do trabalho escravo está diretamente relacionada com a omissão do governo. Haja vista que, uma fiscalização ineficiente, por exemplo, dá margem para continuidade desse ato. Ademais, quando essa instituição não oferece serviços de qualidades, como o sistema educacional, permite a manutenção dessa prática. Dado que, esse contexto propicia um quadro de dificuldades para o crescimento do indivíduo, o qual, dessa forma, torna-se mais propenso a ser enganado com comproposta de emprego que resulta no trabalho escravo. Dessarte, se a negligência do Estado permanecer, atos desumanos dificilmente serão coibidos no seio social.
Portanto, faz necessário que ONGs -Organizações não Governamentais- venham pressionar o Estado, por meio de manifestações que elucidam que uma fiscalização eficiente desistimula a continuidade do trabalho escravo, com objetivo de que, esse exerça a sua função de supervisionar os mais diversos setores econômicos. Outrossim, cabe às mídias televisivas realizarem comerciais para a sociedade, pautados na correlação de que essa prática persiste devido à falta de sistemas públicos de qualidade, a fim de que, cobre do Estado uma maior ação nesse campo, como a destinação de uma maior parcela dos tributos recolhidos para a educação. Dessa forma, garantir-se-á um combate eficaz aos desafios do trabalho escravo no século XXI.