Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 25/06/2019
O século XVI foi marcado por uma série de trabalhos forçados a populações negras e indígenas. Os colonizadores apropriaram-se de sistemas de produção como o plantation, a mita e encomienda para sustentar o arquétipo mercantilista. Nesse sentido, apesar de mudanças ao longo dos séculos, longas jornadas de trabalho tornaram-se comuns, sendo que, em algumas delas, o trabalhador não possui direitos trabalhistas.
A princípio, vive-se um momento do ápice do neoliberalismo, uma vez que o capitalismo é o seu grande mentor. Nesse contexto, a ideia da meritocracia, baseada no “self made man”, a pressão das instituições sociais pela obtenção da conquista por esforço próprio e a necessidade de subsistência induz o trabalhador ao excesso laboral. Com efeito, o indivíduo torna-se alheio a si mesmo e sob a sua força de trabalho, reduzindo o seu tempo de descanso e lazer. Entretanto, apesar de essa situação caracterizar-se pela sobrecarga de tarefas, há outras formas de trabalhos ocultos no mercado ilegal.
Por essa perspectiva, segundo o Índice Global da Escravidão, em 2016, cerca de 45,8 milhões de pessoas viviam em situações análogas à escravidão pelo mundo. As vítimas, de fato, trabalhavam em propriedades privadas, fábricas de maconha e bordeis, escravizados por dívidas e sem direitos trabalhistas e remuneração. O filme anjos do sol, nesse prisma, demonstra a realidade desses indivíduos, enfocando as condições de moradia e transgressão aos direitos humanos. Dessa maneira, o Estado, alheio a essa realidade, desprotege a população mais pobre, principal mão de obra do mercado negro.
A exploração da mão de obra, portanto, ainda é bastante presente na sociedade apesar de sua sutileza. Por esse prisma, é importante que a UNESCO ( Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), em parceria com Universidades, promova debates sobre o assunto. Para isso, é necessário que as instituições de ensino convidem os estudantes interessados no assunto para rodas de conversa. Por meio disso, os alunos debateriam melhores soluções para minimizar os impactos da correria no trabalho e meios para que o Estado seja mais eficiente na identificação de trabalhos compulsórios. Somente assim é possível deixar para trás o legado dos colonizadores da América.