Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 05/09/2019
Em 1888, seguindo a tendência dos países ao redor do globo, a princesa Isabel assina a Lei Áurea no Brasil - a qual garante a abolição imediata da escravidão no país. Contudo, em pleno século XXI, casos análogos à escravidão permanecem sendo noticiados pela mídia mundial, em especial no Brasil, o que revela a necessidade de conhecer os diversos estigmas e desafios do combate ao trabalho escravo, na propensão de solucioná-los.
Como primeira constatação, observa-se que a recorrência dos desafios para o combate ao trabalho escravo é fomentado pela omissão dos Estados. No documentário “Garapa”, longa-metragem produzido na região Nordeste brasileira, evidencia-se o retrato da miséria que parte da população mundial ainda vive. Associado a isso, de acordo com a ONU - Organização das Nações Unidas - quase 1 milhão de pessoas lutam contra a fome diariamente, com isso fica evidente que esses indivíduos estão sujeitos a aceitarem as mais repugnantes propostas de trabalho ou passíveis de serem enganados por seus empregadores, muitas vezes submetidos a condições escravocatas, corroborando com a problemática. Parafraseando Chico Xavier, a omissão de quem pode e não auxilia o povo é comparável a um crime que se pratica contra a comunidade inteira. Logo, a necessidade de mudanças políticas nesse cenário é imprescindível.
Ademais, em um segundo plano, a falta de discussão do tema é um mecanismo intenso desse impasse. Segundo o filósofo Foucalt, alguns assuntos sofrem restrições e nota-se que esse é o caso do debate acerca da escravidão, visto a falta de conferências mundiais sobre o tema. No Brasil, por exemplo, 2019 tem sido um ano de diversas polêmicas e de polarização dos cidadãos no âmbito político - de acordo com o que se nota nas redes sociais - o que exclui outros temas da esfera do debate e fomenta a persistência de diversas mazelas nas sociedade - como a escravidão - pois, sem políticas públicas para a atenuação do problema, elas tendem a persistir. Dessa forma, transformações devem ser realizadas para que o veredito dado por Foucalt seja invalidado.
Portanto, a omissão dos Estados, em parceria com a falta de discussão do tema, são importantes vetores da problemática. Destarte, faz-se mister que os países, em parceria, promovam conferência, debates e a promoção de políticas públicas para a redução da pobreza e da miséria Brasil a fora, por meio da distribuição eficaz de alimentos e de cartilhas informando sobre o trabalho escravo às pessoas em situação de risco, com intermédio da ONU. Agindo assim, será possível tornar real a abolição da escravidão no séc. XXI, tornando real a aplicação da Lei Áurea, assinada por Isabel em 1888, no país e em escala mundial.