Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 12/09/2019
O filme “12 anos de escravidão” retrata a vida de um negro norte-americano que foi sequestrado e submetido ao trabalho escravo. Na contemporaneidade e no contexto brasileiro, o trabalho análogo ao de escravo ainda persiste, principalmente por cauda da herança histórico-cultural e a negligência estatal.
Primeiramente, nota-se que a escravidão no período do Brasil colônia gerou um sentimento de superioridade racial, étnica e de classe social na população brasileira. Nesse sentido, muitas pessoas ainda são submetidas à condições degradantes de trabalho, má remuneração e jornadas exaustivas por pessoas que se consideram superiores. Esse problema está muito presente no agronegócio e nas indústrias têxtil e de chocolate e, muitas vezes, o trabalhador não compreende a gravidade da sua situação e se vê em outra alternativa. Isso é visto como violência simbólica, um termo criado pelo sociólogo Bordieu para denominar a submissão consentida, como se fosse algo normal.
Em segundo plano, desde a aprovação da “Lei Áurea” em 1888 a escravidão no Brasil se configura como crime e é dever do Estado punir àqueles que são condizentes com tal prática. Entretanto, percebe-se muita negligência por parte do governo em impedir que esse crime ocorra, principalmente por existir trabalhos análogos ao de escravo no agronegócio brasileiro, algo que fornece muito lucro ao país. Por causa disso, nota-se apenas o crescimento de propostas de flexibilização das leis trabalhistas, o que gera mais desconforto ao trabalhador. Com isso, esse contexto reflete diretamente na dignidade do cidadão que é submetido a tal forma de serviço, algo posto como essencial para conceder o respeito e a consideração por parte do Estado, de acordo com o filósofo Norberto Bobbio.
Portanto, a fim de que a população auxilie no combate ao trabalho análogo ao de escravo, o Ministério do Trabalho deve abrir postos de denúncia e de ajuda ao trabalhador, principalmente nas cidades do interior do país, por meio de profissionais aptos para atender os necessitados de ajuda. Ademais, o Governo Federal deve conter esse tipo de trabalho, por meio da fiscalização em empresas, feitas por policiais preparados, com o objetivo de preservar a dignidade daqueles que passam por isso.