Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 24/10/2019
Para Rousseau, em uma sociedade democrática ninguém deve ser tão rico que possa comprar alguém, nem tão pobre que tenha que se vender. Desse modo, o sistema democrático é comprometido, uma vez que o trabalho análogo a escravidão ainda permeia o território, ora oportunizado pela falta de oportunidades, ora pela deficitária efetivação das leis nacionais.
Em primeiro plano, é imperativo ressaltar que a necessidade faz com que o indivíduo consinta a condição de trabalho escravo. Nesse sentido, segundo a revista Veja, de maio de 2018, 59% dos trabalhadores escravizados resgatados retornam à empregos análogos. Nessa perspectiva, evidencia-se que, caso não for vinculado ao resgate o amparo devido, perpetuar-se-á o mesmo cenário já visto em 1888, marcado pela negligência para com o recém liberto.
Em segundo plano, cabe reconhecer que os modos com que as leis brasileiras são empregadas reforçam o fato que o país ainda não lidou com o legado da escravidão. Isto é, de acordo com estudos realizados em 2003, pela Secretaria de Inspeção e Trabalho, quanto maior o número de denúncias, maior a diferença entre denúncia e resgate. Assim sendo, os direitos humanos que foram feridos no Brasil Colônia continuam sendo feridos no século XXI, e assim, a violência constitucionaliza-se no país do pelourinho.
Portanto, é imperativo combater o descaso com o trabalho escravo moderno e a falta de possibilidades para melhores condições de vida. Logo, é fundamental que o Governo Federal crie políticas públicas assistencialistas que promovam auxílio às famílias carentes, por meio de cestas básicas, financiamento estudantil, bem como, quitação de dívidas. Desse modo, construir-se-á uma país mais democrático, e o homem não mais precisará se vender à outrem.