Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI

Enviada em 18/06/2020

O mito da caverna, de Platão, descreve a situação de pessoas que recusavam-se a observar a verdade em virtude do medo de sair de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, a realidade brasileira caracteriza-se com a mesma problemática no que diz respeito ao trabalho escravo no Brasil contemporâneo, visto que após a abolição da escravatura em 1888, situações análogas ao trabalho escravo ainda são registradas no país. Nesse sentido, é preciso que estratégias sejam aplicadas para alterar essa situação, que possui como causas: a insuficiência de leis e a falta de conhecimento.

A princípio, a insuficiência legislativa apresenta-se como um complexo dificultador. A Constituição Federal de 1988 é a lei básica brasileira que busca garantir a integridade dos seres vivos e do ambiente em que estão inseridos. No entanto, essa legislação não tem sido suficiente no que se refere à garantia dos direitos trabalhistas. De acordo com a Subsecretaria de Inspeção do Trabalho, 1054 pessoas foram encontradas em condições análogas à escravidão em 2019, isso mostra que o problema continua atuando fortemente no contexto atual. Assim, a lei sendo enfraquecida, dificulta-se a resolução desse impasse.

Outro ponto relevante nessa temática é a falta de conhecimento. Nesse contexto, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Isso justifica outra causa do problema: se as pessoas não têm acesso à informação séria sobre quais são os elementos que caracterizam o trabalho escravo contemporâneo, sua visão será limitada. Pesquisa divulgada pela Ipsos (instituto de pesquisa e de inteligência de mercado) alega que a maioria dos brasileiros não sabem responder com clareza o que define uma situação de trabalho escravo, realidade preocupante que dificulta a erradicação do problema.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Como solução, é preciso que as escolas, em parcerias com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre o trabalho escravo no século XXI e como combatê-lo no ambiente escolar. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e convidados especialistas no assunto. Ademais, esses acontecimentos não devem se limitar aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas a esse panorama preocupante e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.