Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 08/07/2020
Em 2020, uma idosa foi resgatada de seu trabalho, em área nobre na cidade de São Paulo, em que não recebia salários desde 2011 e não podia tirar férias. Essas condições de serviço configuram o chamado trabalho análogo à escravidão, já que as leis vigentes no Brasil garantem tais direitos aos trabalhadores. Desse modo, são trazidos à tona as dificuldades para combater-se o trabalho escravo no século XIX, salientando-se omissão da sociedade e a fiscalização precária.
A princípio, ressalta-se que, no Brasil, um país com histórico de regime escravocrata, o trabalho escravo contemporâneo pode, muitas vezes, ser ignorado pela sociedade. Nesse sentido, o serviço submisso atual acaba sendo ignorado por certos integrantes da comunidade, seja por não terem consciência de que este é um ato que desrespeita os direitos humanos e a lei ou, até mesmo, por acreditarem ser algo normal, visto que resquícios do passado brasileiro foram mantidos. De maneira semelhante à retratada com a idosa, em que, mesmo trabalhando em condições análogas à escravidão por nove anos, não houveram denúncias contra o caso, o mesmo pode ocorrer em outras localidades, devido à omissão daqueles que tem consciência da ação criminosa. Nesse contexto, denúncias não são feitas às autoridades competentes, estabelecendo-se práticas recorrentes de trabalho escravo.
Ademais, a fiscalização, principalmente em áreas rurais, é precária, já que há extensas áreas que dificultam a inspeção. Diferentemente da idosa, que estava empregada em uma área nobre de São Paulo, a maioria dos trabalhos semelhantes ao escravo ocorrem em áreas pobres, em que vivem poucas pessoas e o serviço policial, por exemplo, é escasso. Além disso, a escolaridade dos trabalhadores é, na maioria das vezes, limitada e, portanto, não têm conhecimento de que vivem de maneira similar à de um escravo, fazendo com que não presentem queixas às autoridades e permaneçam em tal forma de vida. Dessa maneira, não há a verificação, por parte dos agentes oficiais, das condições em que os trabalhadores são empregados e a situação degradante de ausência de direitos se consolida.
Em suma, é necessário que o Governo realize o mapeamento das áreas afastadas em que há trabalhadores e envie profissionais, por meio do Ministério do Trabalho, para realizarem a fiscalização dos locais em que os empregados vivem. Dessa forma, visa-se diminuir os casos de trabalho escravo no país, já que muitos seriam interrompidos e desencorajados. É preciso, ainda, que a sociedade se conscientize da importância da denúncia desses casos, ocasionando a diminuição da frequência com que acontecem.