Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 08/07/2020
O filme “Amistad” narra a história de um navio cheio de escravos que se revoltaram contra seus captores e iniciaram uma batalha em alto mar. Tendo como cenário a realidade dos cativos, advogados, em solo americano, começaram a lutar pela liberdade daquelas vidas. Embora conquistada, vê-se, ainda, resquícios de um período de submissão e injustiça, evidenciando a necessidade do debate acerca dos desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI. Dessa forma, nota-se as consequências de uma sociedade historicamente antidemocrática: a exclusão e, principalmente, a herança deixada.
Nesse sentido, o preconceito com vítimas ou descentes da escravatura perdura até hoje - antes, situações cotidianas, como bebedouros de água, ônibus e praias, eram separados entre brancos e negros. Isso comprova o fato de crioulos, muitas vezes, serem oprimidos ou não possuírem oportunidades profissionais, estudantis e sociais. Cita-se como exemplificação a série “Anne with an E”, em que Sebastian e sua esposa Mary, personagens negros, são julgados diversas vezes e tratados com descaso por outras pessoas pela cor de suas peles. Logo, é preciso que eles “tenham voz” na sociedade e não se sintam inferiores, visando a verdade igualdade.
Ademais, o presente de muitos cidadãos ainda apresenta indícios de um sistema passado. Esse esquema, além de prejudicar o desenvolvimento social, fere a individualidade de uma parcela da população, que é obrigada a se submeter para sobreviver. No Brasil, por exemplo, a escravidão começou com a produção de açúcar - os portugueses usavam africanos como mão-de-obra e mercadoria. Da mesma forma, atualmente, os trabalhadores conhecidos como “boias-frias” têm condições sindicais semelhantes: baixo salário, ausência de direitos trabalhistas e, muitas vezes, são vítimas de maus-tratos. Então, o primeiro passo para a derrota desse modelo é extinguir o que vai além dos direitos individuais.
Em suma, há muitos fatores que complicam o fim desse trabalho. Por isso, é importante que o governo, por meio do Ministério da Educação, disponibilize mais vagas direcionadas a negros nas universidades por meio de cotas, objetivando modificar os vestígios do passado. Também, é fundamental que haja, por parte da população, a consciência de que homens não são - e nunca deveriam ter sido - mercadorias. Assim, o filme não será como uma lembrança do que aconteceu e, sim, uma história de “superação”.