Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI

Enviada em 13/07/2020

Ao longo dos anos, as relações de trabalho se modificaram em função do avanço da humanidade. Por exemplo, o trabalho compulsório, baseado na servidão, muito utilizado durante a Antiguidade e no feudalismo, foi substituído pelo trabalho livre e assalariado. Porém, mesmo com os avanços sociais, o problema da exploração trabalhista na sociedade persiste, como foi comprovado em 1995, quando o governo brasileiro assumiu perante a Organização do Trabalho a existência do trabalho escravo contemporâneo no país. Sobre essa questão, é importante destacar a relação entre esse tipo de labor e a indústria da moda e a taxa de reincidência dos indivíduos libertados.

Indubitavelmente, há um estreito laço entre o trabalho análogo a escravidão e à marcas de moda, como indica um estudo feito pela instituição Walk Free, no qual é destacado que a moda é a segunda categoria de exportação que mais explora o trabalho forçado. A maioria dos casos acontecem em empresas terceirizadas, que fornecem roupas para as grandes marcas revenderem. Desse modo, torna-se mais difícil que a população tenha consciência dos produtos que consomem, já que a exploração não é feita diretamente pela marca adquirida. Tal exploração acontece de diversas maneiras, seja pela precariedade do local de trabalho, ou pelo baixo salário e longas jornadas diárias, além situações como dívidas ilegais, isolamento geográfico do empregado e retenção de documentos.

Ademais, um dos maiores desafios para o combate ao trabalho escravo contemporâneo é o chamado ciclo da exploração, pois 60% dos trabalhadores resgatados retornam à regimes análogos a escravidão, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho. Isso acontece pois esses indivíduos se encontram em uma situação de vulnerabilidade socioeconômica, e por isso eles se tornam alvos fáceis para o aliciamento. Tal situação revela que as raízes da escravidão atual estão nas desigualdades sociais. Portanto, é evidente que a solução para o problema não se encontra apenas em libertar os trabalhadores, mas também em possibilitar que eles consigam exercer plenamente os seus direitos, mantendo um padrão de vida aceitável.

Diante dos fatos apresentados, é evidente que existem questões urgentes a serem resolvidas no que tange a exploração do trabalhador. Cabe aos indivíduos reivindicarem das marcas consumidas uma postura de combate ao trabalho escravo, além de pesquisarem sobre a origem dos produtos que irão adquirir. O Estado deve fornecer assistência aos trabalhadores libertados da escravidão contemporânea, por meio de oportunidades de especialização e da oferta de empregos justos. Visando, assim, a diminuição da vulnerabilidade desses indivíduos. Desse modo, o mundo finalmente irá superar as relações da Antiguidade e do feudalismo.