Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI

Enviada em 14/07/2020

Em junho de 2020, uma mulher de 61 anos foi resgatada de um depósito em péssimas condições, onde trabalhava para uma família desde 1998. Entretanto, o último salário que a idosa havia recebido foi em 2011 e, além disso, era vítima de agressão, maus tratos, constrangimentos, tortura psíquica e exploração. Apesar de muitas pessoas pensarem que o trabalho escravo foi exclusivo dos séculos passados, ainda há muitos desafios para combatê-lo na sociedade atual.

Empregos com condições degradantes, que priva o trabalhador de sua dignidade, expõe sua saúde física e mental a riscos e o submete a uma jornada exaustiva, na qual o leva ao limite de suas forças, são considerados trabalhos escravos. Do mesmo modo, a repressão de liberdade, como, por exemplo, a servidão por dívida, retenção de documentos e isolamento geográfico. Reduzir alguém à essas condições pode ter como consequência de dois a oito anos de reclusão e, somado a isso, uma multa correspondente à violência.

Apenas em 2015, 1010 pessoas foram resgatadas de trabalhos análogos ao escravo. Entre eles, 40 menores de idade e 65 imigrantes. A agropecuária centralizou 32,44% das vítimas, seguida da extração de minério, com 31,05%, e de construções civis, com 18,55%. Ainda, mais da metade dos casos aconteceram em zonas urbanas. Minas Gerais concentrou 43% dos acontecimentos, superando todos os outros estados brasileiros.

Em suma, é evidente a presença do trabalho escravo no século XXI e, assim, faz-se necessário a tomada de medidas o mais rápido possível, com o objetivo  de recuperar a dignidade das vítimas. Cabe ao governo, por meio do Ministério do Trabalho, uma melhor fiscalização das empresas. Assim como é dever do Ministério da Educação possibilitar o acesso à educação de qualidade de todos brasileiros, com maiores investimentos no ensino público, para que reconheçam a situação, assim podendo evitá-la e denunciá-la.