Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI

Enviada em 15/07/2020

No decorrer dos anos, os avanços da humanidade foram responsáveis pelas modificações nas relações trabalhistas. Tendo como exemplo, o trabalho baseado na servidão, chamado de compulsório, o qual era muito comum na antiguidade, e principalmente no feudalismo, foi trocado por outro modelo de trabalho, livre e assalariado. Porém, independente de todos os avanços que a sociedade passou ao longo dos anos, ainda encontramos problemas com as explorações trabalhistas na sociedade, pois, o governo federal brasileiro assumiu a existência do trabalho escravo contemporâneo, perante o país e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) em 1995. Em relação a isso, deve-se comentar principalmente, a relação desse tipo de trabalho, com as empresas de moda e a taxa de pessoas que são libertadas, que segundo o governo, mais de 52 mil cidadãos foram livrados de situações análogas a de escravidão em atividades nas zonas rural e urbana.

Certamente, existe uma pequena conexão entre o trabalho análogo, a escravidão e as empresas de moda, que pode ser vista por pesquisas realizadas em 2018, pela fundação Walk Free, onde a moda é o segundo setor que mais explora o trabalho escravo no mundo. A maioria dessas explorações acontecem em empresas terciárias, que produzem para marcas famosas, com uma grande demanda, para que elas possam revender, e desse modo a maioria da população fica sem consciência dos produtos que consomem, já que a exploração não é feita diretamente pela empresa a qual estão comprando. Essa exploração pode ser feita de diversas formas, como condições precárias de trabalho, baixo salário e grandes cargas horárias; geralmente as pessoas que trabalham com esse tipo de serviço, apresentam baixa qualidade de vida, problemas com a justiça, dividas, problemas no país de origem, entre outros.

Além disso, o grande desafio no combate à exploração do trabalho escravo é chamado de ciclo da exploração, pois 55% das pessoas resgatadas voltam a regimes parecidos à escravidão, de acordo com pesquisas da OIT (Organização Mundial do Trabalho). Isso ocorre, na maioria das vezes por conta da vulnerabilidade socioeconômica dessas pessoas, que não tem mais outra escolha para viver, e por isso se tornam alvos fáceis de aliciamento dessas empresas.

Em suma, há muitos fatores que atrapalham o fim desse tipo de trabalho. Por isso, cabe à população exigir de marcas consumidas, uma postura em relação ao combate ao labor escravizado, além de pesquisarem sobre as origens dos produtos, Cabe também ao Estado, fornecer auxílio à trabalhadores que foram libertados da escravidão contemporânea, diminuindo a vulnerabilidade desses indivíduo. Assim, o mundo poderá se livrar das relações antigas em relação ao labor forçado.