Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 23/08/2020
Em 1888 a Princesa Isabel sancionou a Lei Áurea, a qual extinguia a escravidão no Brasil. Hoje, dificilmente encontrar-se-á o mesmo modelo escravista da época, porém essa prática foi ressignificada. Nos dias hodiernos o trabalho escravo é aquele que vai em desacordo com as condições mínimas para uma vida de qualidade. Sendo assim, é imperioso entender os motivos da perpetuação de tal prática no país, como o capitalismo no setor privado e o baixo nível escolar.
Primeiramente, o modelo econômico vigente no Brasil contribui para as práticas de exploração trabalhistas. Sendo uma consequência do surgimento da burguesia no final da Idade Média, o capitalismo busca o enriquecimento, o qual torna o funcionário, muitas das vezes, uma fonte explorável de dinheiro. Corrobora a afirmativa uma matéria do jornal G1, durante a pandemia do COVID-19, a qual denunciava as longas jornadas de trabalho (14h) e os míseros 10 centavos recebidos para cada máscara costurada por imigrantes bolivianos em indústrias de São Paulo. Logo, esse cenário vai em desacordo com os direitos humanos e expõe a necessidade de rompimento da ideia de enriquecimento a todo custo.
Ademais, a desigualdade de instrução do povo brasileiro favorece a ocorrência do trabalho escravo. Segundo o IBGE, em 2019, a menor taxa de indivíduos escolarizados encontrava-se nas regiões Nordeste e Norte do país. O menor grau de escolarização pode tornar o indivíduo suscetível a enganos quando se trata de ofertas empregatícias. Isso é confirmado nas aulas de ciências humanas do ensino médio durante conteúdos de ralações laborais, nas quais são apresentadas a maior recorrência de escravidão por dívida nessas regiões, nas quais os gatos - ludibriadores – oferecem melhores condições de vida com o intuito de aprisionar trabalhadores e lucrar. Nota-se, pois, ser imprescindível combater essa problemática na região, principalmente com a melhoria educacional.
Medidas, portanto, para minimizar os impactos do capitalismo e da escolaridade na persistência dessa problemática são necessárias. Assim, a mídia televisiva deve fazer companhas que incentivem a denúncia desse tipo de trabalho, por meio de comerciais. Neles abordarão a temática e irão explicar como delatar tal crime, a fim de tornarem a população ativa no combate dessa prática. Além disso, o governo em parceria com o setor privado necessita aumentar a disponibilidade de trabalhos nas regiões Nordeste e Norte, com a instalação de mais indústrias, com o afã de ofertar mais trabalho legal - enquanto isso, precisa-se ampliar investimento na educação regional. Dessa maneira, o Brasil se libertará da escravidão, como deveria ser desde 1888.