Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI

Enviada em 07/10/2020

Sancionada em 1888, pela princesa Isabel, a Lei Áurea aboliu a escravidão no Brasil, a fim de reduzir os maus tratos atribuídos a população negra. Entretanto, atualmente, observa-se um retrocesso no que diz respeito às decisões do passado histórico, uma vez que o trabalho escravo permanece visível na sociedade do século XXI, por conta da falta de fiscalização governamental e do egoísmo da sociedade civil. Portanto, é de suma importância que esses desafios sejam vencidos, para que o combate desse crime seja efetuado na contemporaneidade.

Em primeira análise, é necessário analisar a Identidade Nacional da população brasileira pós escravocrata: racista, preconceituosa e excludente. Analogamente a isso, Lima Barreto, em seu livro “Recordações do Escrivão Isaías Caminha”, descreve o cotidiano cruel dos negros ao demonstrar a dificuldade existente na inserção dessa parcela da população em áreas trabalhistas seguras e confiáveis, por conta do preconceito existente na sociedade. No que concerne a esse problema, é evidente o sentimento egoísta, superior e superficial das classes sociais mais desenvolvidas e, principalmente, dos homens brancos, visto que, normalmente, inserem a raça negra em trabalhos pesados, com cargas exaustivas e condições degradantes. Dessa forma, educar a sociedade civil é fulcral para a redução do prejulgamento.

Em segunda análise, a precariedade da fiscalização governamental é evidente na comunidade atual. Por um lado, esse problema pode estar associado à exibição da Arte no mundo atual, visto que novelas e filmes costumam circular estereótipos que desvalorizam o sujeito pobre, negro e da comunidade e naturalizam uma desumanização ao representá-los sempre em trabalhos não remunerados. Por isso, a falta de vigilância pode surgir da falsa ideia de que o sujeito menos favorecido está em seu devido local de atuação, o que faz com que o número de indivíduos em situações precárias de trabalho aumente significativamente.

Em suma, combater os desafios enfrentados no século XXI para acabar com o trabalho escravo é extremante necessário. Portanto, o Ministério do Trabalho, juntamente com o Estado, deverá criar um projeto voltado para a fiscalização das empresas e do bem estar social dos trabalhadores, por meio de encontros semanais que forneçam acompanhamento psicológico aos empregados, vistorias inesperadas de agentes especializados no combate ao escravismo e reuniões que permitam os empregados debaterem a respeito de suas insatisfações no ambiente trabalhista, a fim de reduzir drasticamente esse problema no Brasil. Além disso, a sociedade civil deverá ter mais empatia com o próximo, para que o egoísmo seja deixado de lado. Somente assim, a Lei de 1888 terá efeito no país.