Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 06/10/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a erradicação da escravidão moderna apresenta barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário é fruto tanto da falta de ações governamentais, quanto da falta de apoio das instituições de ensino. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos para o fim escravidão na modernidade.
Primeiramente, é fulcral pontuar que a escravidão contemporânea deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no concerne à citação de mecanismos de coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é o responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, dados do Índice de Escravidão Global estimam que há cerca de 200 mil trabalhadores no Brasil vivendo em regime de escravidão, em que na maioria das vezes os proprietários de terras ou indústrias oferecem condições de trabalho enganosas para a parcela da população menos privilegiada economicamente e que ao chegarem no local de trabalho são deparados com condições sub-humanas. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Outrossim, vale ressaltar que as escolas e as famílias são umas das principais instituições sociais e que tem o poder de transformar uma sociedade. Segundo o pensador Adriano Lima, “a educação se aprende em casa, se aperfeiçoa na escola e se aplica na vida”, porém, esse pensamento não pode ser aplicada para as criança e jovens que se apresentam no sistema de escravidão infantil, os quais não possuem se quer a educação parental e acabam ficando vulneráveis a manipulação para o trabalho escravo infantil. De acordo com dados do IBGE de 2016 mostram que o Brasil tem 2,6 milhões de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil, dados inimagináveis para um país em desenvolvimento.
Infere-se, portanto, que ainda há entraves para garantir a erradicação da escravidão moderna. Dessa maneira, o Tribunal de Contas da União deve direcionar capital, que por intermédio do Governo Federal , por meio do Ministério da Economia será revertido em um aplicativo que terá o intuito de os cidadãos apontarem os locais que fazem a apropriação do trabalho escravo a fim de auxiliar as autoridades para o bem da sociedade na qual estão inseridos. Desse modo atenuar-se-á, em médio e longo prazo o impacto nocivo da escravidão moderna e a coletividade alcançará a Utopia de More.