Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 23/11/2020
No livro brasileiro “Açúcar amargo”, é narrado a rotina de trabalho árdua de um grupo de trabalhadores dos canaviais paulistas. Ao longo do enredo, a personagem principal Marta descreve as semelhanças existentes entre esse método de produção e o implantado na era escravocrata nacional. Fora da ficção, a frequência de casos contemporâneos de trabalho escravo, semelhantes aos representados na obra, demonstra o despreparo social sobre o combate á situações coercitivas para a segurança da massa proletária. Isso ocorre, em razão dos efeitos da desigualdade social e da falta de instrução da população sobre seus direitos trabalhistas.
Em primeiro lugar, é válido destacar que na contemporaneidade, países com maiores contrastes monetários entre sua população, apresentam um projeto trabalhista que privilegia a população com maior poder aquisitivo. Nesse sentido, ocorre uma desproporção no oferecimento de oportunidades de emprego entre os cidadãos minoritários e o grupo elitista. Comprova-se esse raciocínio, por meio de casos de trabalho escravo realizados pela empresa de roupas “Zara”, em suas sedes de fabricação no continente asiático, envolvendo um grupo imigrantes de baixa renda. Por esse motivo, mostra-se que a desigualdade social persistente na atualidade, tem como consequência, a ocorrência de situações de trabalho escravo no século XXI.
Em segundo lugar, é lícito destacar que, segundo o sociólogo Karl Marx, o trabalho é uma ferramenta de desumanização do cidadão. Paralelamente á esse raciocínio, a mentalidade trabalhista do século XXI foi moldada exclusivamente com a intenção de favorecer á obtenção de lucro pelos líderes de grandes empresas. Dessa forma, a população proletária foi negligenciada de acesso a informações sobre seus direitos, devido a ausência dessa pauta nos propósitos comerciais. Evidencia-se o supracitado, por meio dos baixos investimentos das cooperativas á formas educacionais para seus trabalhadores, sobre a defesa de seus direitos. Nesse sentido, esse quadro beneficia o acontecimento de casos de trabalho escravo na contemporaneidade, aproximando-se do cenário analisado por Marx.
Portanto, medidas são necessárias para solucionar o impasse. Sob essa ótica, os governos dos países com maiores ocorrências de casos de trabalho escravo, tem o dever de elaborar maneiras educativas para a construção do senso crítico da população proletária. Isso deve ser realizado por meio da organização de palestras e oficinas, mediadas por profissionais da área de ensino e realizadas nos auditórios públicos de cada cidade nacional região, sobre os seus direitos trabalhistas do país e ofertar para o grupo necessitário, oportunidades de emprego que sigam as normas judiciais. Destarte, o cenário retratado em “Açúcar amargo” não será frequente no século XXI.