Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 17/12/2020
Segundo dados divulgados pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social, em 2015, mais de mil trabalhadores viviam em situações semelhantes às de escravos.No contexto brasileiro atual, percebe-se que o trabalho escravo acontece de forma massiva, constituindo-se como um empecilho grave, cuja base é uma forte discriminação e desrespeito aos direitos humanos.Nesse sentido, emerge um problema desafiador que necessita ser combatido através da superação da falta de empatia e da insuficiência legislativa.
Primeiramente, a ausência de pensamento coletivo contribui incisivamente na perpetuação da problemática. A esse respeito, o sociólogo Zygmunt Bauman defende que a sociedade pós-moderna é fortemente pautada por valores egoístas.Nessa lógica, essa mentalidade individualista é, muitas vezes, materializada pelos brasileiros que não se sentem impactados pelo sofrimento enfrentado pelas vítimas do trabalho escravo, negligenciando praticarem ações coletivas e humanas.Nessa perspectiva, essa situação de descaso coletivo é evidenciada, ora na falta de denúncias de casos de trabalho escravo feita por terceiros, o que neutraliza a gravidade dessa atitude desumana, ora na invisibilidade social em torno do problema visualizada no pouco debate em mídias sociais.Dessa forma, é importante elucidar a população sobre a necessidade de intervir de maneira empática nessa realidade hostil.
Além disso, a frágil suficiência das leis atua como uma entrave para a resolução dessa mazela. De acordo com a Constituição Federal, de 1988, todos os indivíduos possuem o direito de exercer o trabalho de forma humana e saudável. Entretanto, verifica-se que, no Brasil, a situação é outra, pois muitas pessoas estão imersas em condições deploráveis de trabalho, o que constitui uma falha na legislação vigente. Nesse contexto, a questão do trabalho escravo, sem intensa atuação da lei, fica cada vez mais negligenciada e suas vítimas submetidas a uma enorme vulnerabilidade, o que prejudica a integridade física, mental e social dessas pessoas.
Depreende-se, portanto, a importância do combate ao trabalho escravo do século XlX. Posto isso, cabe ao Ministério do Trabalho, em parceria com o Ministério da Cidadania, formular uma campanha humanitária, que mostre a conjuntura atual do trabalho escravo, com a finalidade de estimular a empatia e flexibilizar as leis em torno do problemática. Isso deve ser feito por meio do relato anônimo de vítimas dessa situação, evidenciando todo o sofrimento e humilhação enfrentados. Além da mobilização midiática para divulgar essa campanha, principalmente as redes sociais de grande acesso, assim, possivelmente, o postulado por Bauman não será mais verificado no Brasil.