Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI

Enviada em 11/01/2021

Com base nas transformações sociais decorrentes da revolução industrial, Karl Marx formulou as ideias da lógica do capitalismo que, segundo ele, se sustenta na exploração e dominação da burguesia sobre a classe operária. Assim, as condições desumanas vividas pelos trabalhadores movimentaram as lutas em busca dos seus direitos e, por meio disso, foram conquistadas as Leis Trabalhistas que assegurariam a dignidade dos trabalhadores. No entanto, no cenário atual, o empregado continua sendo explorado e exposto a condições desumanas e escravas, devido aos empecilhos na fiscalização da aplicabilidade dessas Leis.

Segundo o sociólogo Sérgio Buarque, a desumanização do trabalhador é proveniente da priorização do acúmulo de capital acima da qualidade de vida dos operários, tranformando-os em meros números. Com base nisso, para a obtenção de maiores lucro os trabalhadores são expostos às cobranças severas, intensa produtividade em um curto espaço de tempo, ambientes competitivos, e outras formas de assédio moral. Esse tipo de ambiente, além de afetar a produtividade do empregado, causa graves consequências à saúde, física e psicológica. Em 2016, a previdência pública registrou 75 mil pessoas afastadas do trabalho devido a doenças psicológicas, e segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), até 2020 essa enfermidade será o motivo que mais incapacitará trabalhadores no mundo.

Consoante a isso, apesar do fim da escravidão, ainda são comuns relações de trabalho análogas a essa atividade. Antes e considerava analogia a escravidão quando o indivíduo era exposto às condições degradantes, trabalho forçado, restrição de locomoção devido às dívidas, jornadas exaustivas, entre as circustâncias que abrangiam diversas situações, após a ressignificação reconhecida legalmente, são considerado apenas os casos que o indivíduo possui sua liberdade limitada, dificultando ainda mais a ação dos órgãos fiscalizadores.

Portanto, é fundamental a intervenção dos poderes Jurídicos, Legislativo e Executivo, juntamente com o governo, fortalecendo os orgãos fiscalizadores, aprimorando as leis já existentes, de forma a elaborar e aplicar punições mais rigorosas para os praticantes de atividades escravistas e abuso moral. Ademais, cabe à secretaria de comunicação social, junto com a mídia, levar informações por meio de propagandas em TV aberta, a fim de alertar a população, divugando também o número do disque denúncia para que esses casos sejam facilmente encontrados e, dessa forma, garantir aos operários dignidade e os direitos estabelecidos por leis.