Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI

Enviada em 24/02/2021

A partir do fenômeno da revolução industrial, muito foi discutido acerca dos direitos trabalhistas, uma vez que, em seu primeiro momento, na Inglaterra, os trabalhadores urbanos, tanto adultos, quanto crianças, eram submetidos a condições precárias e desgastantes em seu serviço; as organizações políticas e os movimentos operários é que estabeleceram normas para regulamentação do que pode ou não pode acontecer dentro de um ambiente de trabalho, por isso, existe um conjunto de leis trabalhistas a serem seguidas dentro da constituição de cada país. Apesar dessa conquista, atualmente, o capitalismo traz consigo o desemprego e, junto com ele, o desespero do trabalhador, que acaba por cair em propostas de trabalho degradantes para garantir a sobrevivência individual e da família.

Dentro da contemporaneidade, a escravidão ainda é a realidade de mais de 20 milhões de pessoas no Mundo todo e isso é, indubitavelmente, resultado de diversos fatores econômicos e sociais, tais como a educação inacessível e a crise do desemprego. Além de condições degradantes de trabalho, com uma alimentação escassa, os trabalhadores em condições análogas à escravidão passam por jornadas exaustivas e são privados da liberdade de ir e vir. Ainda que tudo isso seja proibido por lei, o combate à escravidão moderna ainda é extremamente complicado por conta da repetição do ciclo: é necessária uma mudança no sistema para barrar essa barbárie.

A falta de fiscalização é outro fator que impede diversos empregados de conseguirem sair o mais rápido possível de sua condição infame: há as opções da fuga do trabalhador, correndo risco de vida e perdendo, muitas vezes, documentos pessoais ou a opção de denúncia, geralmente feita por terceiros. A dependência da denúncia para libertação é complicada devido ao sigilo com o qual muitos patrões abusivos trabalham. Sendo assim, a escassez de opções e a dificuldade que estas trazem fazem com que esse fenômeno continue se perpetuando.

Deste modo, o trabalho de base é essencial: a Organização Mundial do Trabalho deve juntar-se com o Ministério da Economia de cada governo e montar um plano de ação para combater o trabalho escravo, a exemplo da Agenda 2030 desenvolvida pela Organização das Nações Unidas; neste plano, devem ser contidas ações como o investimento na educação pública, a geração de empregos e propagandas televisionadas de incentivo a denúncias de trabalhos degradantes. Assim, mesmo que a longo prazo, as estatísticas de trabalho análogo à escravidão serão reduzidas de maneira drástica, garantindo melhores condições de emprego para prestadores de serviços de todas as áreas.