Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI

Enviada em 01/03/2021

A escravidão está enraizada na sociedade mundial, por causa de precedentes como colonizações de países europeus em territórios latinos, africanos, estadunidenses, entre outros. Com o processo de independência das regiões, foram surgindo diversas leis nas constituições dos países, como por exemplo, no Brasil tem-se a Lei Áurea. No entanto, o trabalho análogo à escravidão ainda é um fato no século 21 e é preciso explorar os obstáculos sociais e políticos que interferem na total abolição desse problema.

O ato de escravizar um indivíduo começa a partir do momento que o mesmo é submetido à condições que ferem sua dignidade humana, tanto como trabalho forçado, jornadas exaustivas, não ter acesso à condições básicas (saneamento básico, por exemplo), entre outros fatores. Muitas vezes há o pensamento de que esse ato provêm de estabelecimentos de baixa renda, que realmente acontece, porém empresas grandes como ZARA (marca de roupas), APPLE (dispositivos eletrônicos), Coca-Cola (bebida, refrigerante) têm em seu histórico trabalho escravo.

As pessoas que são submetidas à esse trabalho normalmente são de baixa renda e com baixa ou nenhuma escolarização, o que os faz mais vulneráveis à um trabalho escravo, de forma que irão aceitar qualquer tipo de pagamento e qualquer tratamento, que querendo ou não é melhor que não ganhar nada. Por isso, casos de escravidão doméstica são muito frequentes e estão cada vez mais aumentando, muitas vezes com falsas promessas.

A falta de suporte às pessoas de regiões periféricas/favelas é uma das causas que levam indivíduos a se submeterem à essas condições, tanto quanto a falta de investimentos na educação pública. As fiscalizações também não são eficazes e por isso muitos dos casos que existem em notícias, levaram anos para serem descobertos, como o exemplo Madalena (de MG) que só foi libertada após 38 anos de trabalho análogo à escravidão realizando o papel de “empregada” desde que era criança.

Em suma, o Estado deve investir mais em moradias e educação de regiões mais simples, dispondo de condições melhores, para evitar que pessoas dessa região aceitem trabalhos que não respeitam a dignidade humana e aumentando as chances de as mesmas conseguirem um emprego normal, evitando o trabalho escravo; o MEC deve criar campanhas que incentivem parentes à levarem crianças para escolas, visando a importância que a educação fará no futuro dessas crianças; o governo federal tem que melhorar as fiscalizações e, também, as punições para estabelecimentos com trabalhos escravos, para que possa-se abolir esse trabalho escravo de uma vez por todas, visando melhor qualidade de vida, que já era desejada muito antes de Castro Alves escrever “O Navio Negreiro” (1880).