Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI

Enviada em 28/02/2021

No final da década de 1880, a Lei Áurea representou a ilegalidade do trabalho escravo no Brasil, e durante a era Vargas, houve a criação de vários mecanismos a fim de legitimar os direitos do trabalhador como a lei da Sindicalização e a Justiça do Trabalho. No entanto, o trabalho escravo não teve um fim, na contemporaneidade tomou novas formas, configurando práticas de escravidão moderna, oriundas de raízes culturais e históricas aliada às dificuldades encontradas nas fiscalizações desta problemática que perpetua-se até os dias de hoje.

Segundo a historiografia, o Brasil desde seus primórdios até a atualidade, apresentou suas atividades econômicas voltadas para o meio rural, portanto a maior parcela da população que trabalha, está concentrada em lavouras e safras, ou seja regiões isoladas e distantes do meio urbano, logo caracteriza-se a conjuntura de obstáculos vistos na investigação de cenários análogos ao de escravidão,  corroborando assim condições propícias para a superexploração.

Em “A Metamorfose”, é narrada a história de Gregor, um entregador simplório o qual exerce atividades pouco remuneradas sob condições que violam seus direitos humanos, sendo normatizado pela esfera social e  familiar ao longo do enredo. Não obstante, situações como esta não se resumem à narrativas, e sim de diversas minorias repudiadas pela sociedade, como de operários que se submetem a condições precárias de trabalho e que possuem uma alta vulnerabilidade financeira, que consequentemente, acarreta na normalização e aceitação de se submeter a jornadas de trabalho exorbitantes e exaustivas.

Destarte, uma sociedade justa precisa de mecanismos adaptativos para os grupos minoritários, analisando sequelas históricas que nosso país herdou. Cabe ao poder governamental de cada estado juntamente com seus municípios a aproximação dos pontos de auxílio e reabilitação de áreas propícias ao regime de trabalho exploratório, por meio de construções de unidades no meio distante dos grandes centros urbanos, contando com o endurecimento das leis que agem para punir o opressor em questão, tudo isto a fim de amenizar as ocorrências de violação de direitos fundamentais e conscientização histórica de um país com passado escravocrata como o nosso.