Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI

Enviada em 03/03/2021

A questão da escravidão advém desde o início do desenvolvimento social e econômico de cada território que, infelizmente, perseveram até os dias de hoje em muitos lugares do mundo. Essa perseverança está ligada à falha nas redes de fiscalizações, à falta de possibilidade de uma escolaridade, à mão de obra barata que submete os trabalhadores a condições subumanas: com pouca ou nenhuma remuneração, jornadas de trabalho forçadas, exaustivas e a violação à vida, à liberdade, igualdade, dignidade e à segurança - direitos fundamentais de um cidadão.

Aristóteles, um filósofo realista, apesar de salientar a igualdade de todos os homens por natureza humana, afirma que há diferenças entre homens livres e escravos enfatizando a necessidade da existência de escravos para o trabalho manual e o tempo ócio para os homens livres. Contudo, a incapacidade do escravo de usar sua racionalidade origina-se da forte censura e proibição exercida pelos homens livres e soberbos em realizar uma base escolar. Por isso, o paradoxo aristotélico quanto a este ponto está em prezar a igualdade e a natureza do ser, mas colocar o escravo como exceção e torná-lo incapaz de atividades que exigem raciocínios além do necessário para o trabalho braçal.

Outro ponto relevante, que colabora para a persistência do trabalho escravo no século XXI, é a falha nas redes de fiscalizações. Grande parte da população não entende o conceito de escravidão moderna, se submetendo ao trabalho forçado, servidão por dívida, permanência por obrigação em locais inseguros e sem higiene, jornada longa sem o mínimo de água e alimentação necessárias para fornecer uma boa saúde à um ser humano. Em ambientes domésticos, rurais e comerciais a fiscalização é corrupta, uma vez que há um acordo favorável entre donos e fiscais, ambas classes sociais altas, enfatizando a necessidade e a importância da denúncia ao suspeitar de alguma ação que assemelha-se à mão de obra escrava.

Dessarte, o Governo de cada Estado deveria incentivar denúncias através de campanhas ressaltando a importância deste ato, por meio de plataformas digitais, como o Facebook e Twitter e, realizando  fiscalizações imediatas em comércios, empresas, residências e fazendas, de modo a dificultar este tipo de mão de obra forçada. Além disso, promover palestras e cursos informativos sobre a escravidão contemporânea tornar-se-ia essencial para a prevenção e entendimento das pessoas, enfatizando as condições deploráveis, a falta de qualificação e valorização da mão de obra análogas à escravidão; objetivando conscientização dos direitos iguais para todos os cidadãos, não devendo se submeter a este tipo de tortura. Por fim, a crueldade no mundo poderia ser minimizada pela conscientização em massa da sociedade.