Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 03/03/2021
Em 1888, era assinada a Lei Áurea, abolindo formalmente a escravidão no Brasil, mas é fato que existindo ou não a lei, modos de trabalho tão degradantes quanto, ainda fazem parte da realidade das classes mais pobres, seja na área rural ou na cidade. Trabalhos análogos a escravidão se dão pela falta de amparo em meio ao oportunismo e ignorância e mesmo sendo um crime passível de multa e prisão, muitas empresas ainda optam por utilizar mão-de-obra análoga a escravidão, sendo assim as punições não são o suficiente para diminuir essa situação, pois não causam impacto o sufciente diante dos lucros de grandes negócios, como a mineração ou áreas extensas ao falar de hectares de uma propriedade privada.
Ao prover um ambiente de trabalho insalubre, caracterizando um trabalho análogo a escravidão, a saúde física e mental dos empregados é prejudicada por excesso de trabalho e cerceamento da liberdade, ou seja, a falsa promessa de uma vida melhor. Um cenário recorrente envolvendo a coerção usando os documentos ou uma dívida infindável do indivíduo por parte do empregador, nessas condições o isolamento geográfico é um ponto que dificulta a denúncia e o acesso, portanto a verificação das condições de trabalho de órgãos competentes se torna mais restrita, apesar de não ser um fator exclusivo das zonas rurais do país, mas sim facilitado pela área.
Nas grandes metrópoles essa condição de vida é “escondida” pelos olhos cegos da própria sociedade que critica e condena tal situação na fala, mas não age de acordo a fim de solucionar o problema, um patógeno que pode ser observado na música “Construção”, de Chico Buarque, cuja letra retrata de forma precisa a impressão da sociedade em relação a classe operária, dizendo literalmente: morreu atrapalhando o público, nesse momento a pessoa passa a ser invalidada e por ser substituível como máquina seus direitos são esquecidos. Sendo assim há uma contradição entre os valores e a realida exercida, pois enquanto trabalhos análogos a escravidão são repudiados, a morte de um ser humano num sábado é um mísero detalhe esquecido e normalizado, refletindo a ideologia cruel do trabalho escravo moderno.
Dessarte, é evidente a falta de políticas mais rígidas em relação ao trabalho escravo, visando a retratação dos empregadores abusivos com punições severas e apoio para as vítimas conseguirem se inserir no mercado de trabalho. Através do Ministério do Trabalho, devem haver regulamentações que restrinjam a ação relacionada ao negócio desses empregadores, desse modo o combate se dará gradualmente conforme a diminuição dessa prática.