Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 03/03/2021
Violação ignorada
Embora a escravidão no Brasil aparente ter acabado no século XIX, ela ainda perdura no país até os dias de hoje, sendo velada pela maior parte da população. Os números infelizmente não são bons, sendo sustentados pela burocracia na fiscalização e falta de oportunidades.
O principal ‘‘imã’’ de trabalhadores para a condição de escravidão, é a baixa escolaridade e falta de oportunidade no mercado de trabalho, o que atrai principalmentes pessoas nascidas no nordeste para trabalhar sob essas condições no sudeste. De acordo com um levantamento do site ‘‘Reporter Brasil’’, 48% dos resgatados são oriundos do nordeste e cerca de 91% não concluiu o ensino médio. Além do fator desigualdade, o pagamentos de dívidas também é um dos motivos que força os trabalhadores a aderirem as condições. O fator dívidas é mostrado em uma reportagem do ‘‘Profissão reporter’’, onde um grupo de trabalhadores trabalhavam para pagar uma suposta dívida que aumentava cada vez mais, visto que eram cobrados até dos itens básicos de higiene e alimentação.
Em contrapartida, a burocratização da fiscalização também contribui significativamente para os índices. Pra se ter noção, o Ceará, que é um dos estados com maiores índices de trabalho escravo, possui apenas 73 auditores do trabalho. Outro ponto que agrava a situação, é a corrupção recorrente entre os responsáveis pela fiscalização, principalmente pelos grandes proprietários de terras.
A fim de solucionar a questão, cabe ao ministério da economia, que é o atual responsável pela pasta trabalhista, estabelecer através de uma portaria o aumento do contingente dos auditores do trabalho, a fim de intensificar a fiscalização principalmente de indústrias e donos de terras, visando aumentar significativamente os resgates de trabalhadores e, consequentemente, uma redução expressiva no trabalho escravo no Brasil.