Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 11/08/2021
O livro “Torto Arado” conta a história de duas irmãs que vivem em situação análoga à escravidao em pleno Brasil contemporâneo. Fora da ficção, a obra reprensenta a realidade, uma vez que esse cenário não é incomum no país, e os desafios do combate do trabalho escravo no século XXI são, primordialmente, a alienação das pessoas que vivem nessa situação e a mentalidade capitalista que almeja o lucro a qualquer custo.
A priori, no filme “O Quarto de Jack”, a protagonista é privada de liberdade e vive isolada em um quarto com seu filho, que por sua vez acredita que essa é a realidade por nunca ter saído de lá. De forma similar, as pessoas que trabalham em situação análoga à escravidão são submetidas a condições precárias - como por exemplo habitações insalubres, horas exaustivas de trabalho e salários insuficientes - mas não as contestam, pois acham que essa é a realidade. Essa resignação ocorre porque tais indivíduos não têm acesso à informação acerca de seus direitos trabalhistas e, portanto, estão alienados às decisões daquele que os contrata. Sendo assim, para que aconteça esse regime de contratação, os proprietários escolhem pessoas com baixo grau de escolarização, justamente porque são elas que estão mais sujeitas a serem manipuladas.
Além disso, o sistema capitalista objetiva o lucro acima de tudo. Nesse sentido, atualmente, vive-se em um mundo globalizado e neoliberal, no qual se busca a mínima intervenção do Estado na economia, a fim de desburocratizar a produção. Nessa lógica, com o enfraquecimento do papel regulador do Estado, facilita-se a submissão dos trabalhadores a condições análogas à escravidão, o que favorece o capitalismo, já que há a diminuição dos custos de produção. Como exemplo dessa situação, segundo o site brasil.gov, mais de mil trabalhadores foram resgatados da situação de escravidao só em 2015.
Em suma, os desafios do combate do trabalho escravo no século XXI são marcados pela falta de acesso à informação e pelo enfraquecimento do papel fiscalizador do Estado, motivado pela mentalidade capitalista. Dessa maneira, é primordial que as grandes mídias - como por exemplo revistas e jornais, redes sociais e programas de televisão - levem informação para a população acerca de seus direitos trabalhistas, por meio de conteúdos diários sobre o assunto, a fim de fazer com que a informação alcance os locais onde o trabalho é precarizado. Ademais, cabe ao Ministerio do Trabalho fiscalizar e punir estabelecimentos que empreguem trabalhadores em regimes de contratação análogos à escravidão, por meio de maior intervenção do Estado nas empresas privadas, a fim de garantir os direitos humanos a todos os cidadãos.