Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 07/11/2021
A Lei Áurea, promulgada em 1888, aboliu a escravidão em território nacional e foi resultado da luta de povos explorados e da adesão popular à causa abolicionista. Entretanto, mais de um século depois, o trabalho análogo a escravidão segue presente no país, devido a delicada situação socioeconômica e falta de fiscalização por orgãos competentes. Sob essa perspectiva, é importante analisar o panorama atual e desenvolver uma possível medida que solucione esse desafio.
Inicialmente, é válido destacar uma das razões da exploração da mão de obra no país. Com a acentuada crise econômica e baixa escolarização de parte da população, milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade são submetidas a condições desumanas da trabalho, como sugere a Subsecretaria de Inspeção do Trabalho, responsável por resgatar trabalhadores superexplorados, em sua maioria, em zonas rurais. Dessa forma, fica evidente que a desigualdade socioeconômica e educacional é um fator determinante para a perpetuação da problemática no Brasil.
Ademais, a fiscalização precária e os poucos canais de denúncia colaboram para a persistência da mazela. Um exemplo é o caso de Madalena Gordiano, submetida ao trabalho análogo a escravidão, em Patos de Minas, por quase 40 anos e que, por meio de cartas aos vizinhos, conseguiu expor sua situação. O fato não apenas evidencia a falta de busca de casos como esse pela justiça brasileira, como também a escassez de meios de denúncia e divulgação, o que permite que tais acontecimentos se repitam e mais pessoas sejam exploradas.
Cabe, portanto, ao governo federal, por meio do Ministério do Trabalho, elaborar iniciativas que solucionem a questão no país. Para tal, devem ser veiculadas campanhas que exponham o tema à população e apresentem canais de denúncia, a fim de facilitar a localização de indivíduos nessas condições. Além disso, cursos profissionalizantes e oportunidades de trabalho devem ser oferecidos em áreas mais pobres, para que cidadãos possam buscar seu sustento de maneira digna.