Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI

Enviada em 02/08/2022

Ainda no primeiro semestre de 2022 o assunto ganhou notoriedade ao ser apresentado ao público o podcast “A Mulher da Casa Abandonada”, que relata a história de uma brasileira que viveu em situação análoga à escravidão nos Estados Unidos durante 20 anos. De acordo com o Artigo 149 do Código Penal, trabalho análogo à escravidão é aquele em que seres humanos são submetidos a trabalhos forçados, com jornadas tão intensas que podem causar danos físicos, além de condições habitacionais degradantes, com agravo quando cometido por motivos de preconceito de raça, etnia, origem ou contra crianças e adolescentes.

“A Mulher da Casa Abandonada” é um podcast produzido por Chico Felitti, em parceria com o jornal A Folha de São Paulo, que relata a história de Margarida Bonetti, hoje em dia residente de uma antiga mansão abandonada no bairro Higienópolis, em São Paulo. Margarida é uma brasileira de classe alta, que em meados dos anos 1980 se mudou para os Estados Unidos, com seu então marido, Renê Bonetti, o filho do casal, e Hilda, sua funcionária doméstica, que mais tarde viria a denunciar o casal ao FBI por estar sendo mantida em condições análogas à escravidão por um período de 20 anos.

Embora pareça ficção, a história de “A Mulher da Casa Abandonada” é verídica e serviu como um alerta à população. Segundo um levantamento do Ministério Público do Trabalho, a média mensal passou de 7 para 16 denúncias desde o lançamento do podcast. Além disso, de acordo com a plataforma de notícias Yahoo, desde que lançado o podcast, as denúncias aumentaram em 123% em todo o país. Com isso, constata-se que expor situações como a de Hilda serve como um alerta e também estímulo para que casos hediondos como esse sejam denunciados e devidamente julgados.

Sendo assim, torna-se evidente que são necessárias novas alternativas para combater o trabalho análogo à escravidão no Brasil. Nesse prisma, cabe ao Ministério Público do Trabalho se fazer mais presente e rigoroso, realizando visitas em possíveis locais com situação desse tipo de abuso com maior frequência e também enrijecer as penas contra quem pratica tal crime, para que gradualmente o trabalho análogo à escravidão seja combatido em todo o território nacional.