Os desafios do combate ao trabalho escravo no século XXI
Enviada em 06/06/2024
No filme “Histórias Cruzadas” é retratada a ausência de dignidade e liberdade das secretárias do lar - em que nem podiam fazer suas necessidades nos lugares apropriados, da casa em que trabalhavam-. Nesse contexto, a obra cinematográfica se assemelha à relidade brasileira, visto que a permanência de trabalho escravo persiste no país, devido a desigualdade social e negligência mídiatica.
Em primeiro lugar, é válido ressaltar o fator econômico como pilar inicial para a permanência do impasse. Desde a colonização há uma hierarquia social, na qual um grupo vulnerável é dominado por outro que possui riquezas, como ocorreu com os índigenas na chegada dos portugueses em 1500, em que foram obrigados a trabalhar, tiveram terras invadidas e sua cultura desrespeitada. Segundo o Ministério do Trabalho, dados mostram que nos últimos 29 anos, trabalhadores em situação de escravidão estão sendo resgatados e 71% dos casos são pessoas de baixa escolaridade. Consequentemente, esses índividuos se submetem à situações precárias e desumanas, como baixa remuneração, excesso de horas trabalhadas, ausência de benefícios e etc. Conforme a criação das leis trabalhistas, é alarmante a perpetuação de tal problemática.
Ademais, percebe-se uma sociedade desinformada, devido ao descaso da mídia. “A massa mantém a marca, a marca mantém a mídia e a mídia controla a massa”, frase dita por George Owell se faz importante para destacar o poder da mídia sobre a população, que desempenha um papel fundamental na disseminação de informações, portanto, a falta de visibilidade aos casos dificulta a mobilização e pressão social para combater o problema e a impunidade.
Portanto, medidas são necessárias para resolver o problema. Cabe ao Estado, junto ao Ministério do Trabalho promover maior fiscalização e punição aos praticantes, além da criação de um programa de empregos, com cursos profissionalizantes para pessoas vulneráveis, também o apoio mídiatico para o aumento da conscientização e mobilização da sociedade, por meio de uma cobertura jornalística aprofundada - reportagens, investigações, entrevistas com as vítimas -. Sendo assim, o trabalho escravo não será mais uma realidade no Brasil.