Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 07/04/2020

Sempre ácido e crítico, Machado de Assis, em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, satirizava as hipocrisias e os maus hábitos da sociedade brasileira vividos no século XIX. Ainda que dois séculos tenham-se passado, desde a época em que viveu o escritor realista, pouco mudou ao observar os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia. Diante disso, cabe analisar tanto a prevalência da insegurança coletiva, quanto o egoísmo populacional, como fatores desse cenário a fim de revertê-lo.

Em primeiro plano, é preciso atentar para a impunidade presente em questão. Nessa perspectiva, a máxima de Martin Luther King de que “A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça á justiça em todo lugar” cabe perfeitamente. Desse modo, tem-se como consequência a generalização da injustiça e a prevalência do sentimento de insegurança coletiva no que tange ao isolamento social no país.

Cabe salientar, outrossim, que a restrição social encontra terra fértil no egoísmo. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós-modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. Em virtude disso, há, como consequência a falta de empatia, pois, para se colocar no lugar do outro, é preciso deixar de olhar para si. Essa liquidez que influi sobre a questão da solidão coletiva, funciona como forte empecilho para sua resolução.

Urgem, pois, intervenções pontuais para sanar o impasse. Logo, é dever do Governo, entidade máxima do poder, decretar o isolamento social obrigatório, com exceção de urgências ou necessidades básicas. Tal ação deve ser feitas por meio do Ministério da Saúde, órgão federal responsável pela proteção da saúde brasileira, intervir, através da mídia, sobre a importância da permanência no lar para o combate da pandemia, a fim de reverter o cenário apocaliptico e acabar com o pensamento do escritor realista.