Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 08/04/2020

Janeiro de 1919, morre o Presidente da República do Brasil, ainda não empossado, Rodrigues Alves. Esse óbito, foi decorrente da epidemia da gripe espanhola que assolou o país. 101 anos depois desse episódio, quando se julgava que pandemias fossem apenas cicatrizes na história da humanidade, outra volta a contaminar com a mesma ferocidade. Assim sendo, e diante do fato de que não há vacinas para novas viroses, resta convencer as pessoas de que o isolamento social é a medida mais eficaz.

Em primeiro lugar, é interessante observar que no Brasil há o destaque  dos Presidentes da República nas duas pandemias. No século passado um morre vítima da doença. Neste, o atual subestima o potencial de gravidade, julgando-se forte o suficiente para não adoecer, de acordo com o pronunciamento do próprio Presidente feito em cadeia nacional no dia 31/03/20. A postura deste último, aumenta o desafio do Ministério da Saúde para convencer a população da real necessidade do isolamento social.

Em segundo lugar, essa quarentena se caracteriza como obstáculo em razão à percepção de que muitos poderão morrer de fome por não ter como prover o sustento da família. Segundo Jamil Chade, colunista do UOL, “a pandemia do coronavírus pode causar o desemprego de 25 milhões de pessoas e aumentar a pobreza”, especialmente entre aqueles que não podem sair para trabalhar. Mesmo diante dessa realidade cruel, necessário se faz preservar vidas estimulando as pessoas a não saírem de casa.

Infere-se, portanto, que a medida de maior efetividade para preservar vidas na crise atual, é convencer as pessoas a evitarem as aglomerações. Para isso cabe o alinhamento do Presidente da República com o Ministério da Saúde, por meio de reuniões e pronunciamento público à nação enfatizando a necessidade do isolamento social. Para isso, usarão chamadas em cadeia nacional, em horário nobre, como também, nos boletins diários do Ministério e nas mídias sociais. Essa é forma de alcançar o maior número de pessoas. Assim, todas se convencerão de que permanecer em casa é a forma mais segura de evitar a contaminação.