Os desafios do necessário isolamento social no Brasil em casos de pandemia

Enviada em 09/04/2020

O filme “Contágio” retrata tentativas de conter uma epidemia global, descoberta após a morte repentina de Beth Emhoff, depois de retornar de uma viagem de trabalho. Todavia, o isolamento social não é um método de conter pandemias apenas cinematográfico e apresenta desafios na sociedade contemporânea, em especial no que concerne a instabilidade econômica e a má distribuição de insumos médicos. Sendo assim, é fulcral a adoção de medidas que mitiguem o infortúnio.

A priori, a quantidade de médicos e aparelhos hospitalares disponíveis por região no Brasil é díspar. Consoante a isso, o Conselho Federal de Medicina relata que, apesar da média nacional de um médico para cada quatrocentos e setenta habitantes, regiões menos povoadas apresentam menos médicos que o indicado pela Organização Mundial da Saúde (dezessete para cada dez mil habitantes), como no Norte (um para cada quase mil habitantes), ou seja, onde o número de infectados ultrapassa o de máquinas e médicos disponíveis, há um aumento proporcional em mortes. Destarte, revela-se a imprescindibilidade do isolamento para atenuar a curva de infectados e mortos

Outrossim, estabelecimentos e serviços que encerram suas atividades nesse período, ainda que por curto tempo, estão sujeitos a falência. Sob esta ótica iminente, o COVID-19 é exemplo dos efeitos econômicos de uma doença, pois sua transmissão ocorre em progressão geométrica (o número de afetados cresce exponencialmente), exigindo que o menor número de pessoas circulem para evitar contágio e, para isso, pequenos negócios tem que fechar por tempo indeterminado. Dessarte, é medular que, além de intervenção estatal, haja meios viáveis e estímulos para que a sociedade consuma produtos locais durante a quarentena, para evitar desemprego.

Portanto, com o fito de evitar a sobrecarga nos hospitais, os pequenos negócios, quando o produto do trabalho for físico e não puder ser realizado via digital, devem investir em delivery, por meio de parceiras com aplicativos de motoristas, porque, dada a inviabilidade de parar o comércio, esses motoristas atuariam como entregadores dos serviços e o número de pessoas circulando atenua, aqueles que transportam são menos expostos e o mercado financeiro não colapsa, pois o capital ainda circula. Ademais, o Ministério da Economia, responsável por administrar o dinheiro, precisa auxiliar negócios pequenos e autônomo por intermédio da disponibilização de renda mínima na crise, visando que mercados incipientes consigam manter seus funcionários e serviços. Somente assim, histórias com isolamento social como em “Contágio” podem apresentar não somente menos infectados e mortos, como também alternativas para renda.